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Mundo – A França registrou uma série de manifestações nos últimos dias após o assassinato de Lyhanna, uma menina de 11 anos cujo desaparecimento e morte provocaram forte comoção nacional. O caso reacendeu o debate sobre a atuação do sistema judicial francês, especialmente em relação à investigação de crimes sexuais contra crianças.
Lyhanna desapareceu em 29 de maio, na cidade de Fleurance, após sair da escola. Seu corpo foi encontrado seis dias depois, em uma área rural. As autoridades ainda não divulgaram oficialmente a causa da morte.
A revolta popular aumentou quando veio à tona que o principal suspeito do crime, Jérôme Barella, pai de uma colega da vítima, já havia sido acusado de estupro de outra criança em agosto de 2025. Segundo informações divulgadas pela imprensa francesa, ele não chegou a ser interrogado pelas autoridades na ocasião.
Manifestações se espalham por diversas cidades
Após a revelação do histórico do suspeito, milhares de pessoas foram às ruas em diferentes cidades francesas para protestar contra o que consideram falhas graves do sistema de Justiça.
Durante os atos, manifestantes carregaram cartazes com críticas às instituições responsáveis pela proteção de crianças e pela investigação de denúncias de violência sexual. Muitos cobraram maior rigor na apuração dos casos e punições mais severas para criminosos reincidentes.
A mobilização também reuniu organizações de defesa dos direitos das mulheres e das crianças, que há anos denunciam dificuldades na investigação de abusos sexuais envolvendo menores.
Governo anuncia medidas após pressão popular
Diante da repercussão nacional, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião de emergência para discutir mudanças na legislação de proteção à infância.
Entre as medidas em análise está o fortalecimento de um projeto de lei voltado à proteção de crianças e adolescentes, além da criação de critérios mais rígidos para o arquivamento de investigações envolvendo violência sexual.
O governo também avalia aumentar a pena máxima para condenados por estupro de crianças. Atualmente limitada a 20 anos de prisão em determinados casos, a punição poderá chegar à prisão perpétua.
Macron reconhece falhas no sistema
O presidente francês, Emmanuel Macron, já havia se manifestado sobre o caso enquanto Lyhanna ainda estava desaparecida.
Após o avanço das investigações, Macron reconheceu a existência de possíveis falhas institucionais e afirmou que o governo irá apurar se houve omissões ou problemas estruturais que possam ter contribuído para a tragédia.
As declarações aumentaram a pressão sobre o Ministério da Justiça e sobre o governo francês, especialmente em um momento de preparação para as eleições presidenciais previstas para o próximo ano.
Caso reacende debate sobre violência sexual contra menores
O assassinato de Lyhanna ocorre em meio a uma crescente preocupação com crimes sexuais contra crianças na França.
Dados da polícia francesa apontam que mais de 75 mil menores foram vítimas de violência sexual no país em 2025, representando aumento em relação ao ano anterior.
Entidades de proteção à infância afirmam que o número real pode ser ainda maior. Segundo essas organizações, cerca de 160 mil crianças sofrem algum tipo de abuso sexual anualmente, enquanto muitas denúncias enfrentam demora na investigação devido à falta de recursos humanos e estruturais.
Para a família de Lyhanna, a tragédia poderia ter sido evitada caso as acusações anteriores contra o suspeito tivessem recebido uma apuração mais rápida e aprofundada.
Pressão por reformas continua
A morte da menina transformou-se em símbolo de uma discussão mais ampla sobre a proteção de crianças na França. Enquanto as investigações seguem em andamento, organizações civis, familiares e manifestantes continuam cobrando mudanças concretas para evitar que situações semelhantes se repitam.

