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Mundo – O Parlamento de Portugal rejeitou um projeto de lei que previa o endurecimento das penas para crimes de racismo e outras formas de discriminação. A proposta, apresentada pelo Grupo de Ação Conjunta Contra o Racismo e a Xenofobia (GAC), contava com o apoio de dezenas de organizações da sociedade civil e mais de 35 mil assinaturas favoráveis.
A decisão gerou debates entre entidades ligadas aos direitos humanos, que defendiam mudanças na legislação para ampliar a proteção às vítimas e fortalecer o combate à discriminação.
O que previa o projeto de lei
Atualmente, a legislação portuguesa estabelece penas de prisão entre seis meses e cinco anos para crimes de racismo. Além disso, exige que a conduta discriminatória tenha sido divulgada publicamente para ser enquadrada criminalmente.
O projeto rejeitado propunha alterações importantes no Código Penal português, entre elas:
- Ampliação da pena máxima de cinco para oito anos de prisão;
- Fim da exigência de divulgação pública para caracterização do crime;
- Transformação da divulgação pública em circunstância agravante;
- Ampliação das punições para atos discriminatórios relacionados à nacionalidade, etnia, língua, sexo, religião, gênero e deficiência física.
Segundo os defensores da proposta, as mudanças buscavam adequar a legislação à realidade de casos de discriminação que ocorrem no cotidiano e que, muitas vezes, não chegam ao espaço público.
Como foi a votação
O texto foi rejeitado após receber votos contrários de partidos de centro-direita e da direita, incluindo o partido Chega, liderado por André Ventura.
Já os partidos de esquerda, como o Partido Socialista e o Livre, votaram favoravelmente à proposta.
A divisão evidenciou diferentes visões sobre a forma como o país deve enfrentar crimes de discriminação e discurso de ódio.
Entidades criticam decisão
Após a votação, o Grupo de Ação Conjunta Contra o Racismo e a Xenofobia lamentou a rejeição do projeto.
Em manifestação pública, a organização afirmou que a proposta buscava corrigir uma lacuna na legislação portuguesa, permitindo a punição de situações discriminatórias que ocorrem fora dos meios de divulgação pública.
Segundo o grupo, a decisão representa uma oportunidade perdida para reforçar os mecanismos de combate ao racismo e a outras formas de discriminação.
Debate sobre racismo continua em Portugal
Apesar da derrota legislativa, organizações da sociedade civil afirmam que continuarão defendendo mudanças na legislação e políticas públicas voltadas à promoção da igualdade e dos direitos humanos.
O tema permanece em discussão em Portugal, especialmente diante do aumento dos debates sobre discriminação, xenofobia e proteção de grupos vulneráveis em diversos países europeus.

