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Mundo – O papa Leão XIV reforçou seu apelo por mais humanidade no tratamento aos migrantes durante o último dia de sua visita oficial à Espanha. Nesta sexta-feira (12), o pontífice participou de um encontro com migrantes na ilha de Tenerife, nas Ilhas Canárias, uma das principais portas de entrada para quem tenta chegar à Europa pelo Oceano Atlântico.
Diante de representantes de comunidades migrantes, autoridades e organizações humanitárias, o líder da Igreja Católica destacou que a migração é uma realidade que atravessa diferentes povos e gerações.
“De certa forma, todos nós somos migrantes”, afirmou o papa durante o evento.
Ilhas Canárias estão no centro da crise migratória
A visita às Ilhas Canárias marcou o encerramento da agenda de uma semana de Leão XIV na Espanha. O arquipélago espanhol, localizado na costa oeste da África, tornou-se uma das rotas mais utilizadas por migrantes que tentam alcançar território europeu.
Muitos fazem a travessia em embarcações precárias e superlotadas, enfrentando longas jornadas pelo Atlântico em condições extremamente perigosas.
Segundo dados oficiais, as Ilhas Canárias receberam um número recorde de 46.843 migrantes irregulares em 2024. O volume representa um crescimento expressivo em comparação com 2015, quando menos de mil pessoas chegaram ao arquipélago.
Já a organização não governamental Caminando Fronteras estima que mais de três mil pessoas morreram apenas em 2025 tentando alcançar as ilhas.
Papa pede mais ações para proteger migrantes
Ao longo da viagem, Leão XIV fez diversos pronunciamentos sobre a situação migratória mundial. O pontífice afirmou que a comunidade internacional precisa adotar medidas concretas para enfrentar as causas que levam milhões de pessoas a deixarem seus países.
Entre as propostas defendidas pelo líder religioso estão a criação de vias legais e seguras para a imigração, o fortalecimento da cooperação internacional contra redes de tráfico humano e o aumento dos investimentos em operações de resgate marítimo.
Segundo o papa, o combate à pobreza, aos conflitos armados e à corrupção também é fundamental para reduzir os deslocamentos forçados.
Durante um discurso realizado nesta semana, ele afirmou que não basta apenas administrar o fluxo migratório ou reforçar fronteiras, mas sim atuar nas causas que levam famílias inteiras a abandonar suas casas em busca de segurança e oportunidades.
Migrantes relatam desafios da travessia
No encontro em Tenerife, o migrante nigeriano Bousso Diouf compartilhou seu testemunho diante do pontífice. Em seu discurso, destacou as dificuldades enfrentadas por quem deixa o país de origem em busca de uma vida melhor.
Segundo ele, a decisão de migrar geralmente envolve a separação de familiares, amigos e memórias, motivada pela esperança de encontrar condições mais dignas de vida.
A fala emocionou participantes do evento e reforçou a mensagem central da visita papal.
Espanha mantém postura mais aberta à imigração
Diferentemente de outros países europeus que adotaram políticas mais restritivas, a Espanha tem mantido uma abordagem relativamente mais aberta em relação aos migrantes.
O governo espanhol implementou um programa destinado à regularização de mais de meio milhão de pessoas sem documentação. A iniciativa, no entanto, também enfrenta críticas de grupos políticos da ultradireita e desafios relacionados à lentidão dos processos de regularização.
Para organizações que atuam na defesa dos refugiados, a visita de Leão XIV representa um importante gesto de apoio aos direitos humanos e à dignidade das pessoas em situação de migração, em um momento em que o tema segue no centro dos debates internacionais.

