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Brasil – A prisão da madrasta e da avó paterna de um menino de 11 anos encontrado morto com sinais de tortura no Itaim Paulista, na zona leste de São Paulo, aprofundou a investigação de um dos casos mais chocantes de violência infantil registrados recentemente no estado. A Polícia Civil aponta que familiares tinham conhecimento da situação de maus-tratos e da privação de liberdade sofrida pela criança dentro da própria casa.
O caso ganhou repercussão nacional após a descoberta de que o garoto era mantido acorrentado ao pé da cama. Além do pai da vítima, preso anteriormente em flagrante, a madrasta e a avó também passaram a responder pelas suspeitas de participação direta nas agressões e no cárcere.
Polícia aponta tortura contínua contra a criança
Segundo as investigações conduzidas pelo 50º Distrito Policial do Itaim Paulista, o menino apresentava sinais severos de violência física, desnutrição e sofrimento prolongado.
O corpo foi encontrado por equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) já sem vida, caído ao lado da cama. De acordo com o boletim de ocorrência, a criança tinha hematomas nos braços, pernas e mãos, além de extremidades arroxeadas e espuma na boca.
Durante depoimento à polícia, a madrasta e a avó paterna admitiram que sabiam que o garoto permanecia preso por correntes metálicas dentro da residência. As duas alegaram que a prática era utilizada para impedir fugas da criança.
Ainda conforme o relato da madrasta, a própria avó ajudava a prender as correntes no menino. A polícia considera as declarações relevantes para esclarecer a dinâmica das agressões.
Correntes e equipamentos eletrônicos foram apreendidos
Os investigadores apreenderam correntes de metal utilizadas para imobilizar a criança, além de equipamentos eletrônicos e imagens de câmeras de segurança instaladas na residência.
A suspeita é de que os maus-tratos acontecessem há um longo período. A polícia agora trabalha para identificar:
- há quanto tempo a criança sofria violência;
- se outras pessoas tinham conhecimento da situação;
- e quais crimes serão atribuídos aos envolvidos.
O caso é tratado como de extrema gravidade pelas autoridades paulistas. A investigação avalia possíveis enquadramentos por tortura qualificada, homicídio e cárcere privado.
Violência infantil segue como alerta no Brasil
Casos de violência doméstica contra crianças continuam mobilizando autoridades e especialistas em proteção infantil no Brasil. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, denúncias envolvendo maus-tratos, negligência e violência física contra menores seguem entre as mais registradas nos canais oficiais.
Especialistas destacam que mudanças bruscas de comportamento, isolamento, sinais físicos frequentes e medo excessivo podem indicar situações de abuso dentro do ambiente familiar.
A orientação é que qualquer suspeita seja denunciada imediatamente aos órgãos de proteção, como o Conselho Tutelar, Polícia Civil ou Disque 100.
Investigação continua em São Paulo
A Polícia Civil informou que novas diligências serão realizadas nos próximos dias para aprofundar a apuração sobre a morte do menino. Os familiares presos devem permanecer à disposição da Justiça enquanto o inquérito avança.
O caso provocou forte comoção nas redes sociais e reacendeu debates sobre falhas na identificação precoce de situações de violência infantil e na proteção de crianças em ambientes domésticos considerados de risco.

