|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Brasil – O influenciador digital Jefferson de Souza é alvo de investigação da Polícia Civil de São Paulo por utilizar inteligência artificial para criar vídeos sexualizados com imagens de jovens evangélicas. O caso levanta discussões sobre os limites do uso de tecnologia, especialmente quando envolve exposição sem consentimento.
Segundo a polícia, o conteúdo foi produzido com a técnica conhecida como deepfake, capaz de simular cenas realistas que nunca aconteceram.
Defesa alega “humor” e crítica de costumes
Em depoimento e em nota divulgada por sua defesa, o influenciador afirmou que não teve intenção de ofender as vítimas. Segundo o advogado, o material teria sido publicado com caráter humorístico e de crítica aos costumes, especialmente em relação às roupas usadas por jovens em igrejas.
“A defesa enfatiza que as publicações tinham intuito estrito de sátira e crítica de costumes”, informou o representante legal.
Ainda assim, o próprio investigado admitiu que utilizava fotos retiradas de perfis públicos para criar os vídeos manipulados.
Vítimas incluem adolescentes
Entre as pessoas afetadas estão adolescentes. Uma jovem de 16 anos relatou que teve sua imagem usada sem autorização em montagens que simulavam cenas sensuais.
“Ele pegou minha foto e fez uma montagem com mulheres sensualizando”, afirmou.
Outra vítima disse ter tentado remover o conteúdo por meio de denúncias nas plataformas e medidas judiciais.
Possíveis crimes em investigação
O caso é investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e pode envolver diferentes crimes.
Entre eles:
- Simulação de conteúdo sexual envolvendo menor de idade, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
- Difamação
- Uso indevido de imagem
A pena para crimes relacionados à exploração sexual de menores pode chegar a três anos de prisão, além de multa.
Como funcionavam os vídeos
De acordo com a investigação, o influenciador:
- Selecionava fotos de jovens em igrejas, principalmente da Congregação Cristã do Brasil
- Utilizava ferramentas de IA para animar as imagens
- Inseria cenas simuladas de dança ou conteúdo sensual
Os vídeos eram publicados em redes sociais como Instagram, TikTok e YouTube, onde ele soma milhares de seguidores.
Em algumas gravações, o próprio influenciador afirmou que utilizava a estratégia para ganhar engajamento e seguidores.
Plataformas removeram conteúdos
Empresas de tecnologia informaram que adotaram medidas após denúncias.
- O TikTok declarou tolerância zero para exploração sexual infantil
- O YouTube confirmou a remoção de vídeos que violavam suas diretrizes
- Parte do conteúdo também foi retirada das redes sociais
Pedido de desculpas e repercussão
Após prestar depoimento, o influenciador publicou um vídeo pedindo desculpas às vítimas e à igreja.
“Peço perdão a todos que se sentiram ofendidos”, declarou.
Mesmo com a retratação, o caso segue sob investigação e reacende o debate sobre os riscos do uso irresponsável da inteligência artificial.
Debate sobre limites da IA
Especialistas apontam que o uso de tecnologias como deepfake exige responsabilidade, principalmente quando envolve:
- Imagem de terceiros sem consentimento
- Conteúdo sexualizado
- Participação de menores
A facilidade de criar vídeos realistas amplia o potencial de danos, tornando essencial a atuação de autoridades e plataformas.
