Filhote de buldogue francês ingeriu 55 pedras de crack, será adotada, em SC
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A filhote de buldogue francês que ingeriu 55 pedras de crack em Joinville, no Norte de Santa Catarina, segue em recuperação e será adotada por uma nova família após mobilizar veterinários, autoridades e moradores da cidade. O caso chocou o país pela gravidade da situação e pelas condições em que o animal vivia.

A cadela, de apenas três meses, deu entrada em uma clínica veterinária na última sexta-feira (17), após os tutores procurarem ajuda inicialmente em uma agropecuária. Segundo a equipe médica, a cachorra chegou em estado crítico, com convulsões, alterações neurológicas, arritmia cardíaca, problemas gastrointestinais e sangramento nasal.

Durante o atendimento emergencial, a filhote vomitou cerca de 48 pedras da droga. Como continuava passando mal, os profissionais realizaram exames de raio-x e ultrassom, que identificaram mais entorpecentes no organismo. Em seguida, o animal passou por uma endoscopia para retirada de outras cinco pedras. Posteriormente, ainda foi submetido à lavagem gástrica e recebeu carvão ativado para reduzir a absorção das toxinas.

De acordo com a veterinária responsável Katia Fernandes, a cachorra reagiu bem após os procedimentos e melhorou ao longo da noite. Nesta quarta-feira (22), ela segue internada, se alimentando normalmente, ativa e fora de risco. A expectativa da equipe é de recuperação total.

Além da intoxicação causada pela droga, os veterinários constataram outro problema grave: a filhote nunca havia sido vacinada e também não havia recebido vermífugo. Segundo a clínica, o animal apresentava infestação intensa por vermes adultos, situação que também exige tratamento cuidadoso.

Os profissionais informaram que a desverminação está sendo feita de forma gradual, já que a morte simultânea dos parasitas poderia causar intoxicação adicional ou obstrução intestinal. Após estabilização completa, a cachorra deverá iniciar o protocolo vacinal.

Investigação e prisão

A Polícia Militar de Santa Catarina foi acionada pela clínica após a descoberta das pedras de crack. A tutora do animal foi presa em flagrante e, segundo relatos iniciais, assumiu a posse da droga. Ela responde por maus-tratos e também por crime relacionado a entorpecentes.

Em audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade à mulher ao entender que a quantidade apreendida — cerca de 12 gramas — não seria suficiente, neste momento, para caracterizar tráfico. Também pesou o fato de ela não possuir antecedentes criminais.

Mesmo solta, a investigada deverá cumprir medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, comparecimento sempre que intimada, comunicação prévia caso mude de endereço e permanência em casa quando não estiver trabalhando.

Novo começo para Antonieta

Batizada de Antonieta, a filhote não retornará ao antigo lar. O Centro de Bem-Estar Animal de Joinville foi acionado para providenciar a microchipagem e a cachorra já foi adota por uma nova família, mas só poderá ir para o novo lar depois da liberação dos médicos veterinários.

O caso também reacendeu o alerta sobre abandono sanitário, maus-tratos e os riscos da exposição de animais domésticos a ambientes com drogas e negligência.

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