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Economia – O Brasil tem hoje cerca de 27,5 milhões de pessoas em inadimplência recorrente, com dívidas médias de aproximadamente R$ 1,1 mil. Os dados, divulgados pela empresa de análise de crédito Assertiva, revelam um cenário de endividamento disseminado, persistente e ligado principalmente a gastos do dia a dia.
Mais do que números isolados, o levantamento aponta um padrão preocupante: milhões de brasileiros entram e saem da inadimplência, sem conseguir estabilizar a vida financeira. O que explica esse ciclo?
Dívidas pequenas, mas frequentes
Um dos pontos mais relevantes do estudo é o perfil das dívidas. Ao contrário do que muitos imaginam, o problema não está concentrado em grandes financiamentos.
Na prática, a inadimplência recorrente no país é marcada por valores baixos e acumulados:
- Média de R$ 1.167,67 para quem tem uma única dívida
- R$ 813,40 por débito para quem tem duas pendências
- Valores menores conforme o número de dívidas aumenta
Isso indica que o endividamento está mais ligado ao orçamento cotidiano, como contas básicas e crédito de curto prazo, do que a compras de alto valor.
Faixa etária mais afetada
O levantamento também mostra quem são os brasileiros mais impactados pela inadimplência recorrente.
A maior concentração está entre pessoas de:
- 36 a 45 anos (22,77%)
- 46 a 55 anos (18,44%)
- Acima de 65 anos (18,23%)
O perfil por gênero é equilibrado: 50,74% homens e 49,26% mulheres.
Esse recorte revela que o problema atinge principalmente a população economicamente ativa, com impacto direto no consumo e na economia.
Ciclo difícil de romper
Outro dado chama atenção: ao longo de 2025, esses consumidores tiveram seus CPFs consultados 57,3 milhões de vezes, cerca de duas consultas por pessoa.
Isso reforça a ideia de um ciclo contínuo de crédito, inadimplência e nova tentativa de financiamento.
Em casos extremos, há registros de pessoas com mais de 2 mil dívidas em aberto, evidenciando situações de superendividamento.
Impacto na economia
A inadimplência recorrente não afeta apenas quem está com o nome negativado. Ela também limita o crescimento econômico.
Consumidores endividados tendem a:
- Reduzir gastos
- Ter acesso restrito ao crédito
- Diminuir a capacidade de poupança
Como o consumo é um dos motores da economia, esse cenário dificulta a recuperação econômica do país.
Dados do Banco Central mostram que o problema se intensifica: o volume de crédito com atraso superior a 90 dias chegou a R$ 171,4 bilhões em fevereiro de 2026.
Governo prepara novo programa de renegociação
Diante desse cenário, o governo federal estuda lançar uma nova versão do programa de renegociação de dívidas, conhecido como Desenrola.
A proposta, ainda em elaboração, deve incluir:
- Descontos para quitação de dívidas
- Mecanismos para evitar novo endividamento
- Possíveis restrições ao uso de crédito caro, como rotativo do cartão
A ideia é não apenas aliviar dívidas existentes, mas evitar que os consumidores voltem rapidamente à inadimplência.
O que explica esse cenário?
Especialistas apontam que a inadimplência recorrente é resultado de uma combinação de fatores:
- Juros elevados
- Custo de vida alto
- Facilidade de acesso ao crédito
- Falta de educação financeira
Na prática, muitas famílias vivem no limite do orçamento, onde qualquer imprevisto pode levar ao atraso de contas.
Um alerta para o futuro
Os dados mostram que o problema vai além de casos isolados, trata-se de uma questão estrutural.
A pergunta que fica é inevitável: como quebrar esse ciclo em um país onde milhões dependem do crédito para fechar as contas no fim do mês?
