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E o Oscar vai para… Inteligência Artificial                           

 

 

Gosto de novidade. Não qualquer novidade. Mas novidades tecnológicas sempre atraem a minha atenção.

Em 1991, lembro de ter ido ao cinema sozinho assistir ao filme O Exterminador do Futuro 2. Não tinha muito interesse pelo enredo. Nem conhecia a história do primeiro filme. Mas fiquei curioso pelos efeitos especiais que criavam personagens fluidos – inéditos. E que eram mesmo fantásticos para aquela época.  

Dois anos depois também assisti no cinema ao primeiro Jurassic Park. Aí meu interesse já era múltiplo. Primeiro pela história de recriação pela engenharia genética de dinossauros extintos. Superinteressante. O cinema antecipava a ciência, pois a ovelha Dolly, primeiro mamífero clonado só nasceria 3 anos depois. Segundo que a direção do filme era de Steven Spielberg, gênio de Tubarão, ET, Indiana Jones. E terceiro que os efeitos visuais digitais fotorrealistas pela primeira vez ajudavam a contar a história. Os dinossauros que contracenavam com os atores pareciam reais. Assustavam de verdade.  

Assim, é provável que eu também assista no cinema ao filme As Deep as the Grave. A novidade aí é a participação do astro Val Kilmer. O protagonista de Batman Eternamente, Doors, e rival de Tom Cruise no primeiro Top Gun, faz o papel de um padre. Val Kilmer morreu em abril de 2025. Não tinha gravado nenhuma cena do filme. A atuação dele foi toda criada por Inteligência Artificial.

A IA não é mais nenhuma novidade. Advogados preguiçosos apresentam defesas de clientes totalmente preparadas por ela. Não colocam nenhuma palavra na argumentação. Magistrados também assinam sentenças redigidas assim. Estudantes, peritos, jornalistas…

O crítico literário Alex Preston teve o contrato com o prestigiadíssimo New York Times rescindido em março por ter publicado uma resenha de livro preparada pela IA. O livro era Watching Over Her, do autor Jean Baptiste Andrea. Leitores reclamaram que a crítica estava muito parecida com uma anterior, publicada no britânico The Guardian. Tinha sido nessa que a IA tinha “se inspirado”.

No estágio atual, a IA ainda cria jurisprudências inexistentes para satisfazer pedidos, verdadeiras xaropadas que desmascaradas fazem advogados pagarem mico e flopam a defesa.

A atuação do ator também fica limitada a caras e bocas que ele já tenha feito, a emoções que ele já tenha sentido, a inflexões de voz que ele já tenha usado. Mas essas limitações vão ser superadas. Os detalhes vão ser cada vez mais minuciosos.

É bastante provável que no futuro as grandes atuações do cinema sejam geradas por IA. Vão ser perfeitas, superiores aos melhores desempenhos presenciais de uma atriz ou um ator.

A recriação de Val Kilmer jovem, depois adulto e finalmente de cabelos brancos e enrugado já é muito melhor do que a que seria obtida com os milagres da maquiagem cinematográfica.

Nunca acreditei muito que robôs e androides pudessem superar os seres humanos e dominar o mundo. Mas já vimos que o supercomputador derrota o campeão mundial de xadrez. Será que demora para um robô driblar melhor que aquele Neymar da primeira passagem pelo Santos, uma androide ser mais bonita que a Michelle Pfeiffer do Feitiço de Áquila, uma outra cantar e dançar melhor do que a Beyoncé?

Não vou nem falar de política. Se perguntar para alguém de bom senso nos Estados Unidos ou no Brasil se prefere ser governado pelo Trump e o Lula ou pela IA, nós vamos ter imediatamente a certeza de que falta muito pouco para as máquinas dominarem o mundo.      

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