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Baixada Santista – A Justiça de São Paulo leva a julgamento nesta quinta-feira (16) o caso que chocou o litoral paulista: o de Bruno Eustáquio Vieira, acusado de matar a própria mãe, Márcia Lanzane, em Guarujá. O crime, ocorrido em dezembro de 2020, teria sido motivado por interesse em herança, segundo o Ministério Público.
O réu, hoje com 27 anos, será julgado em júri popular após ter permanecido foragido por três anos. Ele foi localizado e preso em 2025, em Belo Horizonte.
Crime foi registrado por câmeras de segurança
De acordo com as investigações, Márcia foi morta dentro da própria casa, onde vivia com o filho. Imagens de segurança do imóvel, posteriormente encontradas dentro de um forno, registraram uma luta corporal entre os dois.
Nos vídeos, mãe e filho aparecem discutindo, até que o acusado imobiliza a vítima, pressionando seu pescoço e desferindo golpes. Para a acusação, as imagens reforçam a tese de homicídio qualificado com motivação patrimonial.
Defesa contesta causa da morte
A defesa de Bruno Eustáquio Vieira não nega que houve agressões, mas questiona a causa da morte. Segundo o advogado, o réu afirma que a mãe não morreu no momento registrado pelas câmeras e que só percebeu o óbito no dia seguinte.
Ainda de acordo com a defesa, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou fratura no osso hioide, mas isso não comprovaria, por si só, que a morte ocorreu por esganadura. A estratégia adotada no júri dependerá dos depoimentos colhidos durante a sessão.
Outro ponto levantado é a tentativa de afastar a qualificadora de feminicídio. Para a defesa, o crime não teria sido motivado por questões de gênero, mas por um conflito familiar.
Acusação sustenta motivação por herança
O Ministério Público sustenta que o assassinato foi premeditado e motivado por interesses financeiros. A acusação também destaca o comportamento do réu após o crime, incluindo a tentativa de ocultar provas, como o armazenamento das imagens de segurança dentro de um eletrodoméstico.
Familiares da vítima acompanham o caso desde o início e cobram justiça. Em manifestações públicas, parentes afirmam que esperam a condenação máxima do acusado.
Julgamento deve ouvir testemunhas e o réu
Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, o julgamento prevê a oitiva de 11 testemunhas, além do interrogatório do próprio réu. A decisão final caberá ao Conselho de Sentença, formado por jurados.
O caso reacende debates sobre violência intrafamiliar e crimes motivados por disputas patrimoniais, situações que, embora menos frequentes, costumam gerar forte comoção social.
O que está em jogo no júri
No júri popular, os jurados avaliarão não apenas a autoria do crime, mas também as circunstâncias e a motivação. Caso seja condenado por homicídio qualificado, Bruno pode enfrentar pena superior a 20 anos de prisão.
A sessão deve se estender ao longo do dia e pode ter desdobramentos ainda nesta semana, dependendo da duração dos depoimentos e dos debates entre acusação e defesa.
