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De brigas à conexão: Dicas de uma Advogada, Sexóloga e Analista Comportamental que já ajudou milhares de casais a resgatar a harmonia, a intimidade e a paixão no casamento.
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Olá queridos leitores!

Uma pergunta que ecoa com frequência nos consultórios e nas rodas de conversa: “É verdade que o casamento não precisa de sexo para ser feliz?”. A resposta curta é: sim, é possível, mas pra responder essa pergunta é necessário que olhemos para o que sustenta essa ausência. Na coluna desta semana, vamos mergulhar na diferença entre a ausência de um ato físico e o esvaziamento da força vital que nos mantém conectados.

Na maioria dos casos, o casal justifica a falta de intimidade com a bandeira do “companheirismo”. Mas visualizando essa situação sob a ótica da psicanálise, essa é uma zona de conforto delicada. Claro que é necessário respeitar as limitações de cada um, sejam elas físicas, fases de luto, o exaustivo período do puerpério ou acordos de assexualidade do casal, afinal, cada casal tem sua gramática única.

No entanto, precisamos falar sobre a Libido, afinal, para Freud, ela não é apenas voltada para o ato sexual, mas a própria Eros: a força que nos empurra para a vida. Quando essa energia não encontra vazão na intimidade, ela é desviada para outras coisas.

Muitos casais utilizam essa força para erguer impérios profissionais, cuidar impecavelmente dos filhos ou dedicar-se a causas sociais. No entanto, há um limite delicado, porque quando a ausência de sexo não é um acordo mútuo e conscientemente elaborado, mas sim um silenciamento do corpo por mágoas ou tédio, essa energia “represada” vira sintoma.

Essa energia redirecionada retorna na forma de irritabilidade, apatia ou um distanciamento emocional que transforma amantes em apenas “sócios” de uma rotina burocrática. Em um relacionamento com desajustes, você pode estar pensando, é claro que é possível ficar sem intimidade, afinal, intimidade entre o casal é muito mais que sexo, porém, embora o fim de um relacionamento raramente tenha uma única causa, os dados mostram que o silêncio dos corpos tem um peso esmagador.

Pesquisas de psicologia aplicada e sociologia (como o General Social Survey) indicam que:

  • Cerca de 15% a 20% dos casais vivem em casamentos “brancos” (menos de 10 relações por ano).
  • Em casamentos saudáveis, o sexo representa cerca de 15% da satisfação. Contudo, quando ele desaparece, passa a representar de 50% a 70% da insatisfação.

Ou seja, a falta de sexo raramente é o motivo isolado da separação, mas ela é o termômetro que indica que a conexão emocional e a admiração mútua estão evaporando. Assim podemos concluir que os casais raramente se separam “só” porque não fazem sexo, mas sim pelo que a ausência do ato representa… falta de conexão emocional; ressentimento acumulado; sentimento de rejeição e baixa autoestima.

O sexo é algo tão importante entre o casal, que é uma linguagem exclusiva entre eles. Enquanto o diálogo resolve o cotidiano, o corpo comunica o que as palavras muitas vezes não alcançam. A libido é o que nos mantém curiosos e desejantes pelo outro. Quando abrimos mão totalmente dessa troca sem uma negociação clara, corremos o risco de entrar em um estado de estagnação vital.

A energia da vida reflete de forma positiva ou negativa no relacionamento conforme sua circulação. Se a libido está “represada” por mágoas ou falta de investimento no outro, ela se converte em irritabilidade e distanciamento, e eu tenho certeza que você já percebeu isso.

Muitas vezes, o perigo real para um casamento não é a baixa frequência sexual momentânea, mas a morte da pulsão. Amar é o início, mas é a energia sexual (em suas diversas formas de carinho, admiração e toque) que mantém o laço vibrante e impede que a relação se torne um contrato de convivência asfixiante. Antes de aceitar o “viver como irmãos”, vale a pergunta: nossa energia está sendo usada para construir pontes de intimidade ou para erguer muros de indiferença?

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