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Imagine você a seguinte situação: um time conquista o Campeonato Brasileiro e a Copa Conmebol Libertadores no mesmo ano. Três meses se passam e o treinador responsável pelos títulos é demitido. Parece exagero, mas foi exatamente isso que o torcedor do Flamengo viu nesta semana, em mais um daqueles capítulos difíceis de explicar no futebol brasileiro.
Nem mesmo a goleada por 8 a 0 contra o Madureira, que colocou a equipe na final do Campeonato Carioca, foi suficiente para sustentar o trabalho de Filipe Luís. O resultado, que em qualquer cenário pareceria sinal de estabilidade, virou apenas um mero detalhe em um ambiente onde decisões parecem cada vez mais apressadas.
Por outro lado, o Vasco buscou uma solução conhecida para tentar reorganizar a casa após a saída de Diniz. Renato Gaúcho – famoso por seu estilo marcante, geralmente confundido com arrogância – chega cercado por expectativas. É daqueles treinadores que nunca passam despercebidos, seja pelas declarações ou pela forma de conduzir o grupo.
A negociação, aliás, teve capítulos curiosos. Renato foi tão cobiçado que recusou os dois primeiros convites do clube carioca. Só no terceiro contato aceitou assumir o comando, depois que as partes chegaram aos números contratuais desejados pelo treinador.
A verdade é que o futebol brasileiro vive uma espécie de carrossel de treinadores. Clubes trocam comandos técnicos com a mesma rapidez com que muda o humor de uma torcida depois de apenas três rodadas ruins. Planejamento, paciência e continuidade acabam virando palavras raras no imediatismo do esporte.
No fim das contas, o problema não está em quem chega ou quem sai. O que realmente preocupa é a ausência de convicção nos projetos. Enquanto dirigentes tratam o cargo de treinador como peça descartável, o futebol — que deveria ser protagonista — acaba ficando em segundo plano.
