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Bicheiro mais procurado do Rio é preso em operação integrada em Cabo Frio
Foto reprodução
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Após anos de buscas, o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, foi preso na manhã desta quinta-feira (26), em Cabo Frio, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro. Considerado um dos nomes mais influentes do jogo do bicho no estado, ele também é apontado pelas autoridades como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no território fluminense.

A prisão foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio de Janeiro (Ficco/RJ), composta por agentes da Polícia Federal e da Polícia Civil, com apoio do Ministério Público Federal. O monitoramento incluiu trabalho de inteligência e uso de drones para confirmar a localização do alvo. Imagens registraram o momento em que os agentes entraram na residência e efetuaram a prisão.

Contra o contraventor havia pelo menos quatro mandados de prisão em aberto. Na Justiça Federal, ele é apontado como chefe da chamada “máfia dos cigarros”. Já na esfera estadual, responde como suposto mandante de homicídios, incluindo rivais da contravenção. A polícia também investiga possível envolvimento em ao menos 20 crimes atribuídos a um grupo de extermínio, entre assassinatos consumados e tentativas.

Além dele, um policial militar que fazia sua segurança particular também foi preso durante a operação.

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Operação Libertatis

A prisão ocorreu no âmbito da Operação Libertatis, deflagrada inicialmente em março de 2023 e que teve nova fase em março de 2025. A investigação apura crimes como tráfico de pessoas, trabalho em condições análogas à escravidão, fraude comercial, sonegação fiscal e delitos contra as relações de consumo.

Na primeira etapa da operação, agentes descobriram uma fábrica clandestina de cigarros em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. No local, 19 paraguaios foram encontrados trabalhando em condições degradantes, com jornadas de até 12 horas diárias, sem descanso semanal, remuneração ou liberdade de locomoção. Segundo as investigações, os trabalhadores viviam no próprio galpão, em ambiente sem condições mínimas de higiene.

Domínio territorial e violência

As investigações apontam que o esquema criminoso dominava dezenas de municípios fluminenses, impondo monopólio na venda de cigarros falsificados. Comerciantes seriam obrigados a comercializar exclusivamente os produtos da organização, sob ameaça.

O negócio movimenta cifras bilionárias. Estimativas indicam que o mercado ilegal de cigarros deixou de recolher bilhões em impostos nos últimos anos, com impacto significativo no estado do Rio de Janeiro.

Histórico

O nome de Adilsinho já havia aparecido em operações policiais anteriores, incluindo investigações sobre o jogo do bicho e exploração de máquinas caça-níqueis. Ele também foi alvo de operações que apreenderam milhões de reais em espécie, encontrados escondidos em sua residência.

Figura conhecida nos bastidores da contravenção, o preso também mantinha envolvimento com futebol e carnaval, tendo fundado um clube esportivo e atuado como patrono de escola de samba.

Após a prisão, ele foi encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro e deverá ser transferido ao sistema prisional estadual, onde permanecerá à disposição da Justiça. As investigações continuam com o objetivo de desarticular completamente a organização criminosa.

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