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Imagens de pacientes voltando a andar e até praticando musculação colocaram a polilaminina entre os assuntos mais comentados nas redes sociais nos últimos dias. Mas, apesar da empolgação, especialistas alertam: a substância ainda é uma promessa, não um tratamento consolidado.
A polilaminina é uma versão sintetizada em laboratório da laminina, proteína natural do corpo humano fundamental no desenvolvimento do sistema nervoso. Liderada pela cientista Tatiana Sampaio, a pesquisa busca tratar lesões medulares agudas — aquelas ocorridas recentemente — que comprometem os movimentos.
Quando a medula espinhal é lesionada, os neurônios se rompem e o organismo forma uma cicatriz que dificulta a reconexão. Aplicada durante cirurgia, a polilaminina atua como uma “ponte microscópica”, criando uma estrutura que pode facilitar o crescimento dos neurônios e restabelecer parte da comunicação entre cérebro e corpo.
Os resultados iniciais animaram: em testes com animais e em um pequeno grupo de oito pacientes com lesão medular completa, seis recuperaram algum movimento e um voltou a andar. No entanto, especialistas lembram que até 30% dos pacientes com lesão aguda podem apresentar melhora espontânea, o que exige estudos mais amplos para comprovar a eficácia real do composto.
A substância recebeu autorização da Anvisa para avançar na fase de pesquisa clínica, mas ainda não tem registro como medicamento. “Ainda não é um feito, é uma promessa de tratamento”, afirma Tatiana. Segundo ela, só será possível falar em revolução quando houver comprovação científica ampla, segurança validada e registro definitivo.
Além dos desafios científicos, a pesquisadora enfrenta entraves financeiros. Ela afirma ter perdido a patente internacional da polilaminina após cortes de verbas de pesquisa entre 2015 e 2016. A patente nacional foi concedida apenas em 2025, restando dois anos de exclusividade.
Enquanto isso, pacientes buscam acesso ao tratamento por meio de ações judiciais. A polilaminina representa uma esperança real, mas a ciência ainda precisa percorrer um caminho rigoroso até confirmar se ela pode, de fato, transformar vidas.
