A prisão de um dos alvos da Operação Intocáveis chamou atenção nas redes sociais pelo jeito inesperado como ele foi surpreendido pelos agentes da Polícia Civil. O vídeo da abordagem passou a circular rapidamente e viralizou ao mostrar o momento em que o investigado é acordado dentro de um esconderijo e percebe que, à sua frente, estavam policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO).
O preso é apontado como integrante do núcleo financeiro da milícia que atua em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, ele teria participação direta na administração e movimentação de recursos obtidos por meio de extorsões e exploração ilegal de serviços na região.
A ação faz parte da Operação Intocáveis, ofensiva conduzida pela Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público, com foco no desmantelamento da estrutura financeira da organização criminosa. Outros seis integrantes já haviam sido presos no início de fevereiro, também apontados como membros da cúpula responsável pela arrecadação e gestão do dinheiro da milícia.
De acordo com as autoridades, o objetivo da operação é atingir o “coração financeiro” do grupo, enfraquecendo sua capacidade de manter controle territorial e expandir suas atividades ilícitas.
Enquanto a investigação segue em andamento, o que mais repercutiu foi o momento da abordagem: o susto ao acordar e perceber que a operação havia chegado até o esconderijo.
Como agia a milícia de Rio das Pedras
As investigações apontam que a milícia estruturava sua atuação principalmente na exploração econômica da comunidade. Diferentemente de organizações voltadas exclusivamente ao tráfico de drogas, o foco do grupo estava na geração contínua de receita por meio do controle de serviços e cobrança de taxas ilegais.
Extorsão de moradores e comerciantes
Um dos principais mecanismos de arrecadação era a cobrança de “taxas de segurança”. Moradores e comerciantes eram obrigados a pagar valores periódicos sob a justificativa de proteção. A recusa poderia resultar em ameaças, intimidação, interrupção de atividades comerciais ou expulsão da área.
Pequenos estabelecimentos também eram pressionados a pagar mensalidades para continuar funcionando. Em alguns casos, a milícia determinava quais fornecedores poderiam atuar na região.
Controle de serviços essenciais
Outro braço financeiro era o monopólio de serviços considerados essenciais dentro da comunidade. Entre eles:
- Venda clandestina de sinal de TV e internet
- Controle do transporte alternativo, como vans e mototáxis
- Distribuição informal de gás de cozinha
- Comercialização irregular de água
- Cobrança sobre ligações clandestinas de energia
Esses serviços eram explorados pelo grupo, que impedia a concorrência e mantinha controle sobre a oferta.
Mercado imobiliário irregular
A milícia também atuava no setor imobiliário informal, promovendo construções sem autorização, venda irregular de imóveis e cobrança de taxas para permitir obras e reformas. Imóveis eram negociados sem documentação formal, consolidando o domínio territorial da organização.
Próximos passos
Mesmo com as prisões já efetuadas, a Polícia Civil afirma que a Operação Intocáveis segue em andamento. A expectativa agora é aprofundar o rastreamento do fluxo financeiro da milícia, identificar possíveis “laranjas” e empresas utilizadas para ocultação de patrimônio, além de mapear novas frentes de atuação do grupo.
A investigação também busca consolidar provas que possam resultar em novas denúncias por organização criminosa, lavagem de dinheiro e extorsão.
Segundo fontes ligadas à apuração, o foco agora é atingir a base patrimonial da organização, bloqueando bens e interrompendo a circulação de recursos que sustentam o domínio territorial do grupo na Zona Oeste.
