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O piloto da companhia aérea Latam Airlines, Sérgio Antonio Lopes, de 60 anos, foi preso na manhã desta segunda-feira (9) dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. A prisão ocorreu durante a “Operação Apertem os Cintos”, deflagrada pela Polícia Civil para desarticular uma organização suspeita de explorar sexualmente crianças e adolescentes.
A detenção aconteceu já no interior da aeronave que faria o voo São Paulo–Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Questionado pelos policiais sobre o motivo da prisão, o piloto afirmou não saber a razão. Ele foi conduzido ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo as investigações da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia, Sérgio é suspeito de integrar uma rede criminosa que praticava abuso sexual de menores e produzia, armazenava e comercializava material de pornografia infantil. A apuração aponta que ele levava crianças e adolescentes a motéis utilizando documentos falsos. Os crimes investigados incluem estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição, exploração sexual infantil, uso de documento falso, aliciamento de crianças, perseguição reiterada e coação no curso do processo.
Além do piloto, uma mulher de 55 anos também foi presa. De acordo com a polícia, ela teria recebido pagamento para aliciar e entregar as próprias netas, de 10, 12 e 14 anos, ao suspeito. Ao todo, a operação cumpre oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados e dois mandados de prisão temporária, com ações simultâneas em São Paulo, no Aeroporto de Congonhas e em Guararema, onde o piloto reside.
O inquérito policial está em andamento desde outubro de 2025 e já identificou ao menos três vítimas, com idades entre 11 e 15 anos à época dos fatos. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos indicam que os crimes não foram episódios isolados, mas parte de uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e atuação coordenada. A corporação não descarta novas prisões nem a identificação de outras vítimas.
A operação mobilizou 32 policiais civis e 14 viaturas. A Justiça autorizou as medidas com base na gravidade dos crimes, nos fortes indícios de autoria, no risco de reiteração criminosa e na possibilidade de ocultação ou destruição de provas.
Em nota, a Latam Airlines informou que abriu apuração interna e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A companhia destacou que o voo LA3900 operou normalmente, decolando e pousando no horário previsto, e reforçou que repudia qualquer conduta criminosa, afirmando seguir rigorosos padrões de segurança e ética.

