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A Polícia Civil do Rio de Janeiro entrou, nesta quinta-feira (5), no terceiro dia de buscas pelo rapper Oruam, considerado foragido após a Justiça fluminense decretar sua prisão preventiva. A defesa do artista informou, em declaração à TV Bandeirantes, que ele não pretende se apresentar voluntariamente às autoridades neste momento.

A nova ordem de prisão foi assinada pela juíza Tula Corrêa de Mello depois que o Superior Tribunal de Justiça revogou o habeas corpus que havia garantido a liberdade do cantor. Desde então, equipes da Polícia Civil realizam diligências em diferentes endereços ligados ao artista. Na primeira ação, agentes estiveram na residência de Oruam, na Freguesia, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, mas ele não foi localizado.

Tornozeleira sem sinal

A revogação do habeas corpus teve como base o descumprimento reiterado das medidas cautelares, especialmente o uso da tornozeleira eletrônica. Relatórios anexados ao processo apontam 28 interrupções no sinal do equipamento em um período de aproximadamente 43 dias, o que, segundo a Justiça, inviabilizou o acompanhamento efetivo dos deslocamentos do acusado.

Na decisão, o ministro Joel Ilan Paciornik afirmou que a frequência das falhas extrapola a justificativa de problemas técnicos pontuais e compromete o controle estatal sobre a liberdade do réu, frustrando a fiscalização determinada pelo juízo.

A defesa contesta essa interpretação e sustenta que não houve desligamento intencional da tornozeleira. Os advogados alegam falhas recorrentes no equipamento, incluindo problemas de bateria e de sinal, e informam que um dos dispositivos chegou a ser substituído em dezembro. Também foi apresentado pedido de prisão domiciliar humanitária, sob o argumento de que o rapper possui comorbidades pulmonares.

Acusações

Oruam foi preso preventivamente em julho de 2025, acusado de crimes como tráfico de drogas, associação para o tráfico, resistência, desacato, ameaça e tentativa de homicídio contra policiais, após uma ocorrência registrada durante o cumprimento de um mandado judicial. Ele permaneceu detido por mais de 60 dias no Complexo de Gericinó, em Bangu.

Em setembro de 2025, o STJ concedeu liberdade condicional, substituindo a prisão por medidas restritivas, como o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e comparecimento periódico à Justiça. A reincidência no descumprimento dessas condições levou à nova decretação da prisão.

Poze do Rodo

A decisão judicial também repercutiu nas redes sociais. O funkeiro MC Poze do Rodo saiu em defesa de Oruam, afirmando que o rapper já teria pago pelos erros cometidos no passado e mantido bom comportamento desde que deixou a prisão, no ano passado. Poze também foi preso em 2025, sob acusação de apologia ao tráfico.

Pai é liderança

Oruam é filho de Marcinho VP, apontado pelo Ministério Público como uma das principais lideranças da facção criminosa Comando Vermelho. O rapper ganhou ampla visibilidade nacional em março de 2024, ao pedir publicamente a libertação do pai durante uma apresentação no festival Lollapalooza, em São Paulo.

Desde então, seu nome passou a figurar com frequência em debates sobre apologia ao crime, responsabilidade de figuras públicas e os limites entre liberdade artística e envolvimento com a criminalidade.

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