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De brigas à conexão: Dicas de uma Advogada, Sexóloga e Analista Comportamental que já ajudou milhares de casais a resgatar a harmonia, a intimidade e a paixão no casamento.
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O termo “não monogamia” virou tendência, mas a transição da teoria para a prática é um terreno minado. O que muitos vendem como “liberdade plena” pode, na verdade, esconder uma profunda imaturidade emocional ou um desejo egoísta de manter a segurança do casamento enquanto se vive a adrenalina da solteirice.

Nesta coluna, analisamos os problemas reais que surgem quando o casal decide romper a exclusividade.

O “amor livre” é um mito, porque as regras são necessárias, e também podem ser sufocantes?

Embora o termo “amor livre” soe poético,  na vida real, a ausência de exclusividade exige um contrato burocrático e, muitas vezes exaustivo. Para que a relação não imploda, os casais criam listas intermináveis de regras: “pode beijar, mas não pode dormir fora”, “pode com desconhecidos, mas não com amigos”, “não pode na nossa cama” e por ai vai…

O problema? O desejo humano muitas vezes não segue regras nem contratos. E quando uma dessas regras é quebrada — e quase sempre é — a dor da traição é idêntica à de um relacionamento monogâmico. A “liberdade” acaba gerando uma vigilância constante e uma ansiedade por controle que muitos casais não suportam.

Ai vem aquela pergunta incomoda, sou não monogâmico ou apenas quero conveniência?

É preciso uma honestidade brutal, porque muitas vezes, a proposta de abrir a relação vem de quem já tem um alvo em vista ou de quem quer “o melhor dos dois mundos”. E ainda, manter o porto seguro.

A pessoa quer o conforto, a divisão das contas e o histórico emocional do casamento, mas não quer abrir mão da novidade da caça e do frio na barriga de novos corpos.

O risco aqui é a falta de responsabilidade afetiva. Quando um parceiro propõe a abertura apenas para satisfazer um apetite pessoal, sem se importar com a estrutura emocional do outro, ele não está sendo “moderno”, está sendo negligente.

E sempre tem mais uma regra, ou um “grande detalhe” que não pode passar desapercebido. O maior desafio da não monogamia é lidar com a hierarquia da importância. Por mais que se diga que “há amor para todos”, o ser humano tem uma necessidade intrínseca de validação física e emocional.

Mas quando existe aquele gostinho bom da novidade e poder de escolha, o outro se deixa levar pela empolgação, e “se esquece” do(a) parceiro(a) principal.

E ai, quando um dos parceiros percebe que o outro está investindo tempo, energia sexual e entusiasmo em uma terceira pessoa, e perde a empolgação em casa, o sentimento de perda de espaço é inevitável.

Se a validação em casa diminui;

Se o parceiro “oficial” se sente comparado ou menos interessante;

Se a rotina se torna o lugar do tédio e a rua o lugar do prazer…

A casa cai.

A sensação de rejeição ou substituição é um dos gatilhos mais potentes para a depressão e crises de ansiedade dentro dessas dinâmicas.

 

Outro ponto a se avaliar é peso do “consentimento sob pressão”

Um problema grave e silencioso é quando um dos parceiros aceita a não monogamia não por convicção, mas por medo do abandono, quando cede, somente porque a outra pessoa insiste muito, ou por desgaste na relação, como se isso fosse resolver o problema do casal.

Nessa situação, muitas vezes, pra não perder o marido ou a esposa, a pessoa submete-se a uma situação que fere seus valores e sua segurança interna. O resultado é um sofrimento prolongado, onde a pessoa “valida” o desejo do outro enquanto se anula emocionalmente.

Abrir uma relação não é a solução para um casamento morno; pelo contrário, geralmente expõe as rachaduras que já existiam.

 

Antes de questionar se você é não monogâmico, é preciso questionar: você está preparado para ver quem você ama nos braços de outra pessoa? Está pronto para lidar com a insegurança nua e crua quando a luz do “novo” brilhar mais forte que a sua?

Concluímos assim, que não existe saída fácil, então escolha seu difícil.

A liberdade tem um preço alto, e muitas vezes esse preço é a própria estabilidade da união. Pense bem e não se deixe levar pela ilusão dessa falsa liberdade.

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