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Para quem conhece a longa e desgastante relação entre André Marini, morador do distrito de Vicente de Carvalho, em Guarujá, e a Sabesp, o episódio mais recente chama atenção pelo contexto. André é um dos moradores mais ativos nas cobranças contra a concessionária. Já foi tema de reportagens, adquiriu equipamentos próprios para medir a pressão da água, levou denúncias ao Procon, à Prefeitura e à Câmara Municipal, onde chegou a pedir a palavra e organizar reuniões para discutir a falta d’água e a pressão insuficiente no município.

Por isso, o que aconteceu na manhã do dia 12 levanta questionamentos. Segundo o morador, a Sabesp realizou a troca do hidrômetro apenas em sua residência, sem que ele tivesse feito qualquer solicitação prévia e sem que outros imóveis da mesma rua passassem pelo mesmo procedimento. O relógio analógico foi retirado e substituído por um modelo digital.

Ainda no mesmo dia, poucas horas após a instalação, André percebeu que algo estava errado.

Consumo dispara poucas horas após a troca

O histórico da residência sempre foi estável, com consumo médio mensal de 12 metros cúbicos (m³) — cerca de 12 mil litros de água. No entanto, aproximadamente oito horas após a troca do hidrômetro, o novo equipamento já marcava 3.813 litros consumidos. No dia seguinte, o visor ultrapassava 9 mil litros, sem qualquer mudança no número de moradores, hábitos ou uso de equipamentos que justificasse esse salto.

O cenário gerou desespero imediato. Ciente do impacto que esse ritmo de medição poderia causar na conta mensal, André iniciou uma busca urgente por esclarecimentos técnicos.

Pressão abaixo do mínimo técnico

O aumento abrupto no consumo contrasta com outro dado já conhecido pelo morador. André mede regularmente a pressão da água em sua casa e afirma que ela não ultrapassa 3 metros de coluna d’água (3 mca). O parâmetro técnico normalmente adotado para o abastecimento residencial é de 10 mca, pressão suficiente para atender imóveis de até dois pavimentos sem bomba.

Na prática, isso significa que a residência recebe água com pressão considerada insuficiente, mas passou a registrar um consumo que, tecnicamente, não condiz com essa limitação.

Instalação registrada em vídeo e ausência de lacre

Antecipando possíveis problemas, André registrou toda a troca do hidrômetro com o celular. As imagens mostram a chegada do funcionário, a retirada do relógio antigo e a instalação do novo equipamento. No vídeo, ele questiona o motivo da troca, deixando claro que não havia solicitado o serviço e que apenas sua casa estava sendo atendida, ao contrário do que ocorre em substituições em massa.

Outro ponto registrado é a ausência de lacre de segurança no hidrômetro digital. Ao questionar o profissional sobre o item, André ouviu que, naquele modelo, o lacre não seria necessário. A falta desse dispositivo preocupa porque ele é justamente o que garante a integridade do equipamento e evita que o consumidor seja responsabilizado por suposta violação futura.

Confirmação técnica fora dos canais formais

Diante da leitura inesperada, o morador buscou confirmação técnica ainda na tarde do mesmo dia. Sem conseguir atendimento pelos canais formais, ele recorreu a contatos profissionais construídos ao longo dos anos de cobranças e debates públicos sobre o serviço prestado na cidade.

Após enviar a imagem do hidrômetro digital, o primeiro retorno partiu de um funcionário da Sabesp em São Paulo, que, diante da dúvida inicial, indicou o contato de um representante da companhia em Santos. Esse segundo profissional confirmou a leitura exibida no visor, apontando o registro de 3.813 litros, o equivalente a quase 4 metros cúbicos de água consumidos em poucas horas de funcionamento. (confira na imagem)

Projeção de consumo e temor de conta impagável

Com base nos números registrados logo após a troca do equipamento, André fez uma projeção simples: mantendo-se o ritmo de medição observado, o consumo mensal poderia chegar a 270 metros cúbicos, ou 270 mil litros de água. Pela tabela tarifária residencial, esse volume poderia resultar em uma conta superior a R$ 6 mil, valor completamente incompatível com o perfil da residência.

O temor é que, ao aguardar o fechamento da fatura, o consumidor seja surpreendido por uma cobrança impagável, sem tempo hábil para corrigir o problema.

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