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Organizações internacionais de direitos humanos denunciam que os protestos contra o regime iraniano já deixaram mais de 500 mortos e cerca de 10 mil pessoas presas em diferentes regiões do país. Os números constam em levantamentos independentes baseados em relatos de ativistas, familiares de vítimas e fontes locais, em meio a fortes restrições à circulação de informações.

Segundo essas entidades, a maioria das vítimas fatais são manifestantes civis, mortos durante confrontos com forças de segurança ou em operações de repressão. As autoridades iranianas, por sua vez, não divulgaram um balanço oficial consolidado sobre mortos entre os protestantes, limitando-se a informar dados pontuais relacionados a agentes de segurança.

Insatisfações

As manifestações tiveram início no fim de dezembro, impulsionadas inicialmente por insatisfação econômica, como inflação elevada, desemprego e perda do poder de compra. Em poucos dias, os atos se espalharam por diversas cidades e passaram a incorporar críticas políticas diretas ao regime, transformando-se em um movimento nacional de contestação.

Apesar da repressão, os protestos continuam ocorrendo de forma intermitente, com registros de confrontos, prisões em massa e denúncias de violações de direitos humanos.

Prisões em larga escala

Além das mortes, os levantamentos apontam para mais de 10 mil detenções desde o início das manifestações. Entre os presos estão estudantes, trabalhadores, ativistas e jornalistas. Familiares relatam dificuldades para obter informações sobre o paradeiro dos detidos e denunciam restrições ao acesso a advogados e ao direito de defesa.

Organizações de direitos humanos afirmam que parte dos presos foi levada para locais não oficialmente reconhecidos como centros de detenção, o que aumenta as preocupações sobre possíveis abusos, maus-tratos e julgamentos sem garantias legais.

Mulheres, o véu e o símbolo da revolta

A participação feminina ganhou protagonismo nos protestos, especialmente com atos de desafio às leis que impõem o uso do véu islâmico. Imagens de mulheres retirando ou queimando o véu tornaram-se símbolo da contestação ao regime. A morte de uma jovem que passou a representar essa luta ampliou a mobilização e colocou as mulheres na linha de frente das manifestações, mesmo sob risco elevado de repressão.

Estados Unidos

A repressão aos protestos provocou reação internacional, com destaque para a posição dos Estados Unidos, que condenaram a violência contra manifestantes e anunciaram medidas diplomáticas e sanções direcionadas. Países europeus e organismos internacionais também intensificaram cobranças por investigações independentes e respeito aos direitos humanos, enquanto atos contra o regime iraniano foram registrados fora do país.

Mortes não computadas

Outro ponto central das denúncias é a possibilidade de subnotificação do número real de mortos. Entidades independentes afirmam que o bloqueio da internet, as limitações à atuação da imprensa internacional e o controle rígido da informação dificultam a confirmação dos casos.

Há relatos de que corpos de manifestantes mortos teriam sido retirados de hospitais ou locais de confronto sem registro oficial, além de denúncias de pressão sobre famílias para que não divulguem as circunstâncias das mortes. Em alguns casos, parentes afirmam ter sido orientados a realizar enterros rápidos e discretos.

Diante desse cenário, especialistas avaliam que o número real de vítimas pode ser superior ao divulgado até agora, embora não seja possível confirmar novos dados de forma independente.

Protestos fora do país

A repressão aos protestos no Irã também provocou reações fora do país. Manifestações contra o regime iraniano foram registradas em Londres e em outras cidades da Europa e da América do Norte, organizadas principalmente por integrantes da diáspora iraniana. Os atos pedem o fim da violência contra manifestantes e maior pressão internacional sobre o governo iraniano.

Destaques ISN

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