A saída do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, é considerada iminente dentro do governo federal. Fontes do Palácio do Planalto afirmam que o anúncio oficial pode ocorrer já na próxima quinta-feira (8). Desde o período do Natal, o ministro vem conversando com auxiliares e interlocutores próximos sobre a possibilidade de deixar o comando da pasta.
De acordo com informações apuradas pela reportagem, as conversas se intensificaram nas últimas semanas e a decisão estaria em estágio avançado. Nos bastidores, a avaliação é de que a saída seja comunicada de forma coordenada com o anúncio de um substituto, para evitar instabilidade em uma das áreas mais sensíveis do governo.
A possível mudança ocorre em um momento de forte pressão sobre o Ministério da Justiça, especialmente diante das cobranças por resultados mais efetivos na segurança pública, no combate ao crime organizado e na coordenação das forças federais com estados e municípios. Integrantes do governo avaliam que a troca pode abrir espaço para uma reorientação política e operacional da pasta.
Até o momento, o governo federal não confirmou oficialmente a saída nem divulgou nomes cotados para assumir o ministério.
Foi ministro do STF
Ricardo Lewandowski construiu uma trajetória marcada pela atuação no Judiciário brasileiro. Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), é doutor em Direito do Estado e teve carreira acadêmica como professor e autor de obras jurídicas.
Em 2006, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), cargo que ocupou por quase 17 anos. Entre 2014 e 2016, presidiu a Corte em um dos períodos mais conturbados da política nacional, tendo papel central no julgamento do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff, ao conduzir a sessão final no Senado Federal.
Ao longo de sua passagem pelo STF, consolidou a imagem de magistrado de perfil técnico e institucional, frequentemente defendendo o equilíbrio entre os Poderes e as garantias constitucionais.
Luta contra o crime organizado
Lewandowski assumiu o Ministério da Justiça e Segurança Pública em um cenário de elevada expectativa por mudanças na condução da política de segurança. Desde o início, buscou imprimir um perfil mais jurídico e institucional à pasta, priorizando o diálogo com o Judiciário, o Congresso Nacional e os governos estaduais.
Durante sua gestão, o ministério concentrou esforços no enfrentamento ao crime organizado, na definição de diretrizes nacionais para a segurança pública e na reorganização da atuação de órgãos federais, como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Também esteve à frente de debates sobre o sistema prisional, direitos fundamentais e a relação entre segurança pública e garantias constitucionais.
