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O reaparecimento de um passaporte em nome de Eliza Samudio, encontrado recentemente em Portugal, voltou a colocar um dos crimes mais emblemáticos do país no centro das atenções. A descoberta do documento, localizado em um apartamento no país europeu, gerou intensa repercussão nas redes sociais e levantou questionamentos — especialmente pela ausência de um carimbo de saída. No entanto, não há qualquer registro que indique movimentações ou viagens após o desaparecimento de Eliza, em 2010.

O passaporte foi emitido em 2006 e contém apenas um carimbo de entrada em Portugal, datado de 2007, três anos antes do crime. Não existe nenhum registro posterior, tampouco indícios documentais que apontem deslocamentos próximos ao período em que Eliza foi assassinada.

Um crime que chocou o país

O caso Eliza Samudio ganhou proporções nacionais não apenas pela brutalidade do crime, mas também por envolver uma figura pública que vivia um dos melhores momentos da carreira. À época, o goleiro Bruno Fernandes era titular do Flamengo, um dos clubes de maior torcida do país, e estava em evidência no futebol brasileiro.

O envolvimento de um atleta famoso, em ascensão profissional, com um crime de tamanha gravidade causou comoção, indignação e ampla cobertura da imprensa, transformando o caso em um dos episódios criminais mais acompanhados da década. O desaparecimento de Eliza, aliado ao fato de o corpo nunca ter sido encontrado, contribuiu para que o caso permanecesse vivo na memória coletiva e frequentemente retomado em debates públicos.

Por que a ausência de carimbo de saída gera dúvidas

A inexistência de um registro formal de saída de Portugal passou a ser interpretada, nas redes sociais, como um possível indício de que Eliza teria permanecido na Europa. Especialistas, no entanto, explicam que essa ausência não representa uma irregularidade.

Em 2007, Portugal já integrava o Espaço Schengen, que permite a circulação livre entre diversos países europeus, sem controle de fronteiras internas. Na prática, isso significa que uma pessoa pode entrar por um país e sair por outro integrante do bloco sem receber novo carimbo no passaporte.

Além disso, à época, os sistemas de controle migratório ainda não eram totalmente informatizados, o que tornava falhas humanas ou ausência de registros algo relativamente comum. Outra possibilidade considerada é que o documento tenha sido perdido, esquecido ou guardado por terceiros, sem qualquer relação com fatos posteriores ao crime.

Família pede cautela diante das especulações

Após a divulgação da informação, familiares de Eliza se manifestaram pedindo cautela e respeito. A mãe e o irmão afirmaram que o surgimento do passaporte causa forte impacto emocional e reabre feridas antigas, mas reforçaram que não há qualquer elemento concreto que indique que ela esteja viva.

Eles também alertaram para o risco de teorias precipitadas, que acabam ampliando o sofrimento da família sem base em dados oficiais ou investigações confirmadas.

Caso segue encerrado na Justiça

Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010. Apesar de o corpo nunca ter sido localizado, a Justiça brasileira considerou comprovado o homicídio. Bruno Fernandes foi condenado como mandante do crime, assim como outros envolvidos no caso.

Especialistas ressaltam que, caso Eliza estivesse viva após 2010, seria inevitável a existência de registros institucionais — como documentos civis, atendimentos médicos, movimentações bancárias ou novos registros migratórios. Nada disso jamais foi identificado, o que mantém inalterado o entendimento jurídico do caso.

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