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Antes de ser capturado, Nicolás Maduro tentou negociar uma saída política que ia muito além da própria permanência no poder. Segundo fontes ouvidas pela imprensa internacional, durante uma ligação telefônica com o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Maduro sinalizou que estaria disposto a deixar a Venezuela, desde que recebesse anistia legal completa para si e seus familiares.
De acordo com essas fontes, a proposta incluía a remoção total das sanções impostas pelos Estados Unidos, além do encerramento de um processo considerado emblemático que Maduro enfrenta no Tribunal Penal Internacional, que investiga possíveis crimes cometidos durante seu governo.
No entanto, o ponto mais sensível da negociação não dizia respeito apenas ao futuro pessoal de Maduro. Segundo os relatos, ele também solicitou a suspensão das sanções contra mais de 100 funcionários do governo venezuelano, muitos deles acusados pelas autoridades norte-americanas de envolvimento em violações de direitos humanos, corrupção e tráfico de drogas.
Preservar a estrutura
O número elevado de autoridades citadas no pedido chama atenção e indica que a tentativa de negociação não se limitava a figuras centrais do Executivo ou das Forças Armadas. Para analistas, a proposta tinha como objetivo preservar toda a estrutura institucional que sustenta o regime, evitando responsabilizações futuras e possíveis desdobramentos judiciais internacionais.
Nesse contexto, o volume de nomes envolvidos levanta questionamentos sobre o alcance real da anistia pretendida. Embora não haja confirmação oficial sobre categorias específicas, o tamanho da lista sugere que o pedido poderia abranger diferentes setores do Estado venezuelano, incluindo autoridades que atuaram diretamente na manutenção do regime nos últimos anos.
Judiciário na mira
A tentativa de blindagem ampla ganha ainda mais relevância diante do papel exercido pelo sistema judicial venezuelano. O Judiciário do país, especialmente suas instâncias superiores, foi responsável por validar a reeleição de Maduro em meio a fortes questionamentos internacionais sobre a legitimidade do processo eleitoral.
Diante disso, cresce a especulação de que integrantes do Judiciário poderiam estar entre os funcionários cuja anistia foi solicitada, embora nenhuma fonte confirme nominalmente essa informação. O que se sabe é que, em outros contextos internacionais, juízes e magistrados já foram alvos de sanções quando considerados parte de estruturas que sustentam governos autoritários.
Negativa e prisão
A proposta, no entanto, não avançou. Segundo as fontes, as exigências feitas por Maduro foram consideradas inaceitáveis, especialmente no que diz respeito ao encerramento de processos internacionais e à suspensão ampla de sanções contra dezenas de autoridades acusadas de crimes graves.
Pouco tempo depois, Maduro acabou sendo preso, encerrando de forma abrupta qualquer possibilidade de uma transição negociada nos termos que ele pretendia.
