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Silvio Santos, mesmo após a sua partida, continua aprontando uma das suas.
No dia do lançamento do SBT News, justamente na data do aniversário do comunicador que marcou a história da televisão brasileira, o país assistiu a uma cena digna das novelas mexicanas que ajudaram a consolidar a emissora como um fenômeno nacional.

Mas a cena não veio da ficção.

Vamos voltar no tempo.

No início de dezembro, o ministro Alexandre de Moraes, personagem central do embate político brasileiro nos últimos anos e tratado como vilão por setores bolsonaristas, teve seu nome incluído na Lei Magnitsky. A legislação norte-americana é usada para sancionar indivíduos acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção. Pouco depois, a própria esposa do ministro também passou a integrar essa lista.

O impacto da Lei Magnitsky é profundo. Estar nela significa, na prática, ter a vida econômica internacional travada. Contas, operações financeiras e qualquer tipo de negócio com empresas que tenham relação direta ou indireta com o governo dos Estados Unidos ficam inviabilizados. O efeito pode atingir até operações no Brasil, já que grandes corporações evitam vínculos com pessoas sancionadas por Washington.

É um rol ocupado por figuras associadas a regimes autoritários, ditadores, chefes militares e personagens envolvidos em escândalos internacionais de grande escala. Por isso, a inclusão de Alexandre de Moraes foi celebrada por setores da direita brasileira como um troféu político. Para esse grupo, a decisão simbolizava que a maior economia do mundo enxergava as ações do ministro — especialmente aquelas que resultaram na prisão de Jair Bolsonaro e de militantes bolsonaristas — como antidemocráticas, alimentando a expectativa de um sufocamento político capaz de provocar uma virada no cenário nacional.

Mas, como em toda boa novela, veio a reviravolta.

Na tarde do dia 12 de dezembro, aniversário de Silvio Santos e data de lançamento do SBT News, o governo de Donald Trump voltou atrás de forma inesperada e retirou Alexandre de Moraes e sua esposa da Lei Magnitsky. A decisão surpreendeu aliados e adversários e desmontou, em poucas horas, um discurso que vinha sendo usado como símbolo político.

O evento, de importância nacional e com transmissão para todo o país, reuniu lideranças políticas, executivos da comunicação, jornalistas consagrados e figuras históricas da televisão brasileira. Um ambiente carregado de simbolismo institucional, coroado pela presença do casal que dominava o noticiário naquele dia: Alexandre de Moraes e Viviane.

O momento do discurso, a cena principal. Toda os holofotes para o presidente, que não perdeu a chance de motrar que além de sorte.. tem poder. Incorporou o personagem “amigo de Trump” quando afirmou que foi procurado pelo presidente dos Estados Unidos antes desta importante decisão.

Segundo Lula, Trump perguntou:
“É bom para você?”

O presidente brasileiro respondeu que a medida “é boa para o Brasil e para a democracia brasileira”, deixando claro que, na sua visão, a retirada do nome de Moraes da lista não atendia a interesses pessoais, mas institucionais.

O discurso ganhou ainda mais contornos políticos quando Lula aproveitou o palco para provocar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, principal representante da direita presente no evento. Em referência às previsões pessimistas feitas por adversários no início do ano, Lula foi direto ao recado:

“Todos os prognósticos contra a economia brasileira anunciados no início de janeiro não estavam certos, Tarcísio.”

A frase arrancou reações no público e selou o tom do discurso: celebração, provocação e recado político.

A cena estava completa

Essa história está longe de ser o último capítulo dessa novela política. Mas o simbolismo do dia, do palco e do enredo chama atenção. Silvio Santos, o senhor Abravanel, parecia ter deixado montado, ainda que sem intenção, o cenário perfeito para um episódio que misturou poder, reviravoltas e audiência — exatamente como ele sempre soube fazer.

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