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O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) foi filmado na manhã desta quarta-feira (19/11) trocando socos e chutes com um homem na avenida Vicente Machado, no Centro de Curitiba. Nas imagens, que rapidamente se espalharam pelas redes sociais, os dois aparecem se agarrando no meio da rua enquanto pedestres e motoristas tentam separar a briga. Em um dos vídeos, o parlamentar surge com o rosto sangrando, com suspeita de fratura no nariz.
A confusão aconteceu por volta das 9h15, em uma região de grande fluxo de carros e pessoas. De acordo com os vídeos, a briga começa na calçada e avança para a pista, interrompendo o trânsito por alguns instantes. O outro envolvido ainda não foi oficialmente identificado. Várias pessoas que passavam pelo local registraram a cena em celulares, e esses vídeos foram a base das primeiras reportagens sobre o caso.
O que teria motivado a briga
As razões do confronto ainda estão sendo apuradas. A primeira versão atribuía o início da discussão a um desentendimento no trânsito. No entanto, o próprio deputado afirmou que vinha sendo seguido por um homem e que ouviu provocações de cunho racista e político antes da agressão física — o que, segundo ele, teria desencadeado a reação.
O caso deve ganhar novos desdobramentos à medida que a identidade do outro envolvido for confirmada e que os vídeos forem analisados pelas autoridades.
Caso vai parar na política
Poucas horas após a repercussão das imagens, um vereador de Curitiba protocolou um pedido de cassação do mandato de Renato Freitas, alegando quebra de decoro parlamentar. A Assembleia Legislativa do Paraná ainda não definiu se abrirá um procedimento formal, mas a tendência é que o caso seja analisado pelo Conselho de Ética.
Código de Ética prevê punições severas
Em setembro, entrou em vigor o primeiro Código de Ética e Decoro Parlamentar da Alep, documento que estabelece regras de conduta para os deputados e define que agressões físicas e atitudes que comprometam a imagem da instituição podem ser enquadradas como infrações éticas.
As punições previstas vão de advertência verbal, passando por suspensão temporária do mandato, até cassação definitiva, em casos considerados graves.
Como funciona um processo de cassação?
Se a denúncia for aceita, é aberto um processo disciplinar no Conselho de Ética. O relator irá apurar os fatos, ouvir testemunhas e colher a defesa do parlamentar. Depois, um parecer é levado ao plenário indicando a medida cabível.
A palavra final é dos próprios deputados — e o julgamento passa a ser mais político do que jurídico.
Pressão cresce pela repercussão dos vídeos
O fato de a briga ter ocorrido em via pública, em horário de movimento e com múltiplas gravações em celular — já viralizando nas redes — aumenta a pressão sobre o Legislativo. Além da esfera institucional, há também impacto direto na imagem pública do deputado, que pode ser cobrado inclusive pelo próprio partido.
Precedentes
Nos últimos anos, casas legislativas de outros estados já cassaram ou afastaram parlamentares por condutas consideradas incompatíveis com o mandato — mesmo sem agressões físicas.
Casos como Arthur do Val (Alesp) e Gabriel Monteiro (Câmara do Rio de Janeiro) ilustram como comportamentos públicos passaram a ser tratados com mais rigor dentro da política brasileira.
Há também um processo em curso contra o deputado federal Glauber Braga, que responde por agressão física dentro da própria Câmara dos Deputados. Se condenado, pode ser o primeiro a perder o mandato por esse motivo em Brasília.
