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A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a condenação dos militares conhecidos como “kids pretos”, apontados como parte do núcleo 3 da tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O grupo, formado por nove integrantes das Forças Especiais do Exército e um policial federal, é acusado de planejar ações armadas para manter Jair Bolsonaro no poder, mesmo após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo a denúncia apresentada pela PGR, os réus agiram com “disposição homicida e brutal” ao traçarem planos que incluíam ataques contra autoridades dos Três Poderes, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Em documentos e mensagens apreendidos, os investigadores encontraram conversas em que os acusados falam sobre “neutralizar” ou até “eliminar” ministros da Corte, além de outras figuras políticas.

Planos e operações

A investigação aponta que o grupo chegou a elaborar planos batizados de “Punhal Verde e Amarelo” e “Copa 2022”, que previam o uso de armamento pesado, o controle de prédios públicos e o sequestro de autoridades. De acordo com a PGR, os acusados também discutiram a possibilidade de “matar traidores” e promover prisões ilegais para viabilizar a permanência de Bolsonaro no poder.

Essas ações fariam parte de uma estrutura hierárquica organizada, com divisão de tarefas, treinamento e apoio logístico. A PGR descreveu o núcleo 3 como o “braço operacional” da trama golpista, encarregado de executar o plano em caso de ruptura institucional.

“Disposição homicida e brutal”

Em manifestação enviada ao STF, o subprocurador-geral da República Carlos Frederico Santos afirmou que o núcleo militar demonstrou uma “clara disposição homicida” ao planejar execuções e sequestros de autoridades democráticas. Segundo o documento, “a organização criminosa estava pronta para matar e morrer em nome de um projeto de poder autoritário”.

As provas reunidas incluem trocas de mensagens, mapas de deslocamento de veículos e registros de reuniões em que os réus teriam discutido detalhes da operação. A PGR também destacou que os acusados usaram códigos militares e jargões internos para se comunicar e evitar detecção.

Julgamento no STF

O caso está sendo analisado pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Luiz Fux. O julgamento começou nesta terça-feira (11) e deve seguir ao longo da semana, com apresentações das defesas e votos dos ministros.

A PGR pede a condenação de todos os réus por associação criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e porte ilegal de armas de uso restrito. Para um dos acusados, Ronald Ferreira de Araújo Júnior, o órgão sugere desclassificar o crime para “incitação das Forças Armadas contra os poderes constitucionais”, o que poderia permitir um acordo de colaboração premiada.

Momento importante

A condenação dos “kids pretos” é vista como um passo importante para esclarecer até que ponto houve participação de militares em uma articulação golpista no país. O caso também servirá de base para julgamentos futuros de outros núcleos da mesma investigação, que inclui ex-integrantes do governo e aliados próximos de Bolsonaro.

Enquanto o STF analisa as provas, a PGR afirma que as evidências já revelam um “quadro alarmante de hostilidade armada à democracia” e um projeto deliberado de tomada do poder pela força.

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