O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira (29) que o Brasil permanece disposto a negociar com os Estados Unidos em relação às tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump. Apesar disso, reforçou que o país não aceitará passivamente as medidas norte-americanas.
“O Brasil está aberto a negociações, mas não precisa andar de cabeça baixa”, disse Lula em entrevista. O presidente destacou ainda que, caso os Estados Unidos deixem de importar produtos brasileiros, a estratégia será diversificar mercados. “Se o leite caiu, vou procurar outra vaca para tirar mais leite. Eu vou procurar outro país para negociar”, afirmou.
Na visão do presidente, eventuais tratativas só ocorrerão se houver iniciativa da Casa Branca. Ele ressaltou que não cabe ao Brasil buscar diretamente o contato. “Se o secretário do Tesouro não falou com o ministro Haddad e o vice-presidente Alckmin também não conseguiu contato com representantes do comércio americano, por que acham que um telefonema para o Trump resolveria?”, questionou.
Um possível encontro entre Lula e Trump, previsto para setembro, quando o petista viajará a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, dependerá de movimentação do governo norte-americano.
Na quinta-feira (28), Lula autorizou o Itamaraty a acionar a Camex (Câmara de Comércio Exterior) para iniciar consultas baseadas na Lei da Reciprocidade Econômica. A decisão foi tomada em resposta à sobretaxa de 50% aplicada por Trump sobre produtos brasileiros no início do mês.
O Itamaraty terá até 30 dias para elaborar um relatório técnico sobre a legalidade das medidas impostas pelos Estados Unidos e avaliar a adoção de contramedidas. Entre as possibilidades estão retaliações em áreas de comércio de bens, serviços e propriedade intelectual.
A chancelaria brasileira já iniciou uma análise preliminar e comunicará oficialmente Washington ainda nesta sexta-feira, abrindo espaço para manifestação e possível negociação diplomática.