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Educação – O Brasil gasta cerca de US$ 3.762 por estudante em educação, valor equivalente a aproximadamente um terço da média registrada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O dado faz parte do Panorama da Educação 2026, divulgado pela entidade nesta terça-feira (29).
Na média dos países analisados pela OCDE, o gasto governamental chega a US$ 13.859 por estudante em instituições públicas nos níveis que vão da educação primária ao pós-secundário não terciário. A comparação utiliza valores ajustados pela paridade do poder de compra para permitir uma análise entre os diferentes países.
Apesar do gasto por aluno estar abaixo da média internacional considerada pelo estudo, o Brasil destina uma parcela relativamente elevada de sua economia à educação pública.
Brasil destina 4,3% do PIB à educação
Segundo a OCDE, o Brasil destinou 4,3% do Produto Interno Bruto (PIB) ao financiamento público da educação, considerando da educação primária ao ensino superior.
O percentual está acima da média de 3,6% da OCDE registrada no levantamento. Isso mostra que o gasto por estudante não depende apenas da parcela do PIB direcionada à educação, mas também do tamanho da população atendida e da estrutura do sistema educacional.
O levantamento também aponta uma característica particular do Brasil: o gasto governamental por estudante no ensino superior é próximo ao observado nos níveis anteriores quando são considerados os investimentos em pesquisa e desenvolvimento.
Luxemburgo aparece entre os países com maior gasto por estudante
A diferença entre os países é ampla. O levantamento da OCDE mostra que os valores destinados à educação variam bastante entre os sistemas analisados.
Luxemburgo aparece entre os países com os maiores gastos por estudante, com valores superiores a US$ 27 mil em determinados níveis de ensino.
A OCDE ressalta que os números precisam ser analisados levando em consideração diferenças econômicas, demográficas e estruturais entre os sistemas educacionais. Por isso, o valor investido por estudante é apenas um dos indicadores usados para avaliar o financiamento da educação.
Professores relatam insatisfação com salários
O estudo de 2026 também dedica atenção à falta de professores e às condições de trabalho da categoria.
No Brasil, 22,3% dos professores declararam estar satisfeitos com seus salários. Na média da OCDE, o índice chega a 38,7%.
A diferença também aparece quando os docentes avaliam as condições gerais de trabalho. No Brasil, 44,3% demonstraram satisfação, enquanto a média da OCDE é de 68,4%.
Os números ajudam a dimensionar um dos desafios apontados pela OCDE para os sistemas educacionais: atrair e manter profissionais qualificados na carreira docente.
Falta de professores preocupa sistemas educacionais
A escassez de profissionais é um dos principais temas do Panorama da Educação 2026.
No Brasil, 9% dos professores da educação primária e secundária em instituições públicas não eram plenamente qualificados nos dados referentes a 2024/25. O percentual é próximo da média de 9,1% registrada pela OCDE.
Outro dado chama atenção para a permanência dos profissionais na rede pública. Segundo o levantamento, 10,3% dos professores plenamente qualificados dos níveis primário e secundário deixaram a profissão em 2022, seja por aposentadoria ou por pedido de demissão. Na média da OCDE, o índice foi de 6,4% em 2024/25.
A saída registrada não significa necessariamente que todos os profissionais tenham abandonado a docência. Parte deles pode ter migrado para instituições privadas ou outras atividades educacionais.
Escolaridade dos adultos ainda está abaixo da média da OCDE
O levantamento também analisou o nível de escolaridade da população adulta.
Entre brasileiros de 25 a 64 anos, 22% possuem ensino superior. Na média da OCDE, o percentual chega a 43%.
Por outro lado, 39% dos brasileiros nessa faixa etária têm ensino médio completo ou formação técnica, número próximo à média de 40% dos países da organização.
Entre os jovens adultos, o cenário apresenta melhora em relação a anos anteriores. A parcela de brasileiros de 25 a 34 anos sem ensino médio completo caiu de 35% em 2016 para 26% em 2024.
O estudo também aponta redução na proporção de jovens que não estudam nem trabalham, embora esse indicador ainda permaneça como um desafio para o país.
Maioria dos estudantes segue para o ensino médio
A continuidade dos estudos após a conclusão do ensino fundamental também foi analisada pela OCDE.
Um ano depois de concluir o ensino fundamental II, 87% dos estudantes brasileiros estão matriculados no ensino médio ou em outro programa educacional.
Outros 4% permanecem repetindo o último ano do ensino fundamental II, enquanto 8% não estão matriculados em uma instituição de educação formal.
Os dados mostram avanços na permanência escolar, mas também evidenciam desafios relacionados à conclusão da educação básica e à ampliação do acesso ao ensino superior.
O Panorama da Educação é publicado anualmente pela OCDE e reúne indicadores sobre financiamento, acesso, participação, professores, condições de trabalho e resultados dos sistemas educacionais dos países participantes. A edição de 2026 foi divulgada em 29 de setembro.

