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Mundo – As equipes de resgate encerraram nesta quinta-feira (17) as buscas nos escombros de um prédio que desabou na Cidade de Gaza. Segundo Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil palestina, 21 pessoas morreram e outras 45 foram retiradas com vida do local.
O edifício havia sido danificado durante ataques realizados ao longo da guerra e era utilizado como abrigo por famílias deslocadas. Mais de 110 pessoas viviam no imóvel antes do desabamento, de acordo com informações divulgadas pela Reuters. Entre os mortos estavam oito crianças, segundo a Defesa Civil.
O prédio desabou na madrugada de quarta-feira (16). As equipes trabalharam durante horas para retirar vítimas e sobreviventes dos escombros, mas enfrentaram dificuldades devido à falta de equipamentos pesados.
Famílias viviam em prédio danificado
Moradores haviam ocupado o edifício porque não encontravam alternativas de abrigo. Grande parte da população de Gaza continua deslocada e vivendo em tendas ou em construções danificadas após anos de conflito.
Nader El-Ejlah, um dos sobreviventes, contou à Reuters que sua família havia se mudado para o prédio por não conseguir encontrar outro local para morar. Segundo ele, outros edifícios da região também apresentam risco de desabamento.
Na quinta-feira, máquinas começaram a retirar os escombros do terreno. A área deverá ser preparada para a instalação de tendas destinadas aos sobreviventes e a outras pessoas que estavam abrigadas no prédio.
Moradores também vasculharam os destroços em busca de pertences pessoais e alimentos.
Oito crianças estão entre os mortos
Mahmoud Basal informou que oito crianças morreram no desabamento. Aproximadamente metade das pessoas feridas também era formada por crianças.
O porta-voz afirmou que as equipes de emergência não dispunham de todos os equipamentos necessários para realizar o trabalho de resgate. Mesmo assim, 45 pessoas foram retiradas dos escombros e encaminhadas a hospitais.
O episódio ocorreu em uma região onde milhares de famílias continuam vivendo em construções que sofreram danos durante a guerra. A AP informou que o edifício havia sido atingido anteriormente por ataques israelenses e apresentava problemas estruturais.
Falta de equipamentos dificulta resgates
A escassez de máquinas pesadas é apontada por autoridades palestinas e organismos das Nações Unidas como um dos principais obstáculos para a retirada de escombros e para a reconstrução de Gaza.
Autoridades palestinas atribuem a dificuldade às restrições impostas por Israel à entrada de determinados equipamentos e materiais no território. Israel afirma que as medidas têm como objetivo impedir que recursos sejam utilizados por grupos armados.
A AP informou que apenas uma quantidade limitada de equipamentos de grande porte entrou em Gaza desde o cessar-fogo, enquanto Israel afirma que máquinas pesadas podem ser autorizadas para determinadas operações.
Reconstrução de Gaza continua limitada
Quase um ano após o cessar-fogo que interrompeu os principais combates, a reconstrução em larga escala de Gaza ainda não avançou.
Grande parte dos edifícios do território foi destruída ou sofreu danos durante a guerra. Segundo a Reuters, mais de 2 milhões de pessoas permanecem concentradas em uma parcela reduzida da Faixa de Gaza, muitas delas em tendas improvisadas ou em construções parcialmente danificadas.
A falta de moradias seguras aumenta a exposição da população a riscos relacionados à instabilidade das estruturas que permaneceram de pé.
A situação também preocupa organismos internacionais. Na terça-feira (15), o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos informou que a recuperação de centenas de corpos encontrados sob escombros em Gaza levantou novas preocupações sobre possíveis violações do direito internacional humanitário.
Cessar-fogo não encerrou todos os confrontos
O cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos entrou em vigor em outubro de 2025 e interrompeu os principais combates, mas não eliminou completamente a violência no território.
Israel e Hamas acusam um ao outro de violações do acordo. As negociações sobre as próximas etapas do cessar-fogo incluem questões como o desarmamento do Hamas e a retirada das forças israelenses de Gaza.
Segundo autoridades palestinas, mais de 73 mil pessoas morreram durante a ofensiva israelense iniciada após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel, em outubro de 2023. Na ocasião, cerca de 1.200 pessoas foram mortas em Israel, segundo autoridades israelenses.
O desabamento desta semana expôs novamente as condições de moradia enfrentadas pela população deslocada e o risco existente em milhares de estruturas danificadas.

