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Política – A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou espaço no discurso dos principais candidatos à Presidência da República a menos de três semanas do primeiro turno das eleições de 2026. De um lado, Flávio Bolsonaro (PL) passou a usar os episódios envolvendo ministros da Corte para associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Supremo. Do outro, Lula procura defender a atuação institucional da Corte sem assumir para si a responsabilidade pelas decisões de seus ministros.
O assunto ganhou força após a sessão do STF realizada na terça-feira (15), quando os ministros analisaram uma questão relacionada ao caso Banco Master e à possibilidade de investigação envolvendo Alexandre de Moraes. O julgamento foi suspenso após pedido de vista de Flávio Dino, e o colegiado não chegou a analisar o mérito da petição.
A sessão expôs divergências entre integrantes do tribunal e colocou novamente o Supremo no centro do debate político em um momento decisivo da campanha presidencial.
Flávio Bolsonaro associa Lula a ministros do STF
Em agenda de campanha no Ceará na quarta-feira (16), Flávio Bolsonaro intensificou as críticas ao Supremo e relacionou Lula a ministros da Corte.
Durante uma motocarreata em Juazeiro do Norte, o candidato afirmou que o país estaria sendo prejudicado pelos chamados “ministros do Lula” e defendeu mudanças na composição do tribunal.
A declaração ocorreu no mesmo dia em que Flávio tinha compromissos de campanha no Ceará e em Pernambuco, segundo a agenda divulgada pela Agência Brasil.
A estratégia de aproximar Lula de Alexandre de Moraes também apareceu em outros discursos recentes do candidato. Flávio passou a defender que uma eventual vitória nas eleições permitiria indicar novos ministros para o STF à medida que surgissem vagas na Corte.
A associação entre Lula e Moraes, porém, precisa ser contextualizada. Alexandre de Moraes foi indicado ao Supremo em 2017 pelo então presidente Michel Temer, e não pelo atual presidente.
Lula tenta separar governo e decisões do Supremo
Lula, por sua vez, afirmou em entrevista recente que não foi responsável pela indicação de Moraes ao STF e defendeu a apuração de eventuais suspeitas envolvendo integrantes do Judiciário.
Ao mesmo tempo, o presidente elogiou a atuação de Moraes em processos relacionados aos ataques às instituições democráticas e ao julgamento da trama golpista.
A postura coloca Lula diante de uma questão política delicada: defender a atuação institucional do Supremo sem transformar a Corte em um dos principais temas de sua campanha.
O debate ganhou ainda mais importância porque Flávio Bolsonaro também é citado em uma investigação relacionada ao caso Banco Master. Segundo documentos divulgados pelo STF e informações da Reuters, a investigação apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro. Flávio nega irregularidades.
Caso Banco Master aumenta tensão entre ministros
A origem de parte da atual crise está nas investigações relacionadas ao Banco Master, que envolvem informações extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição.
Segundo o próprio STF, a Petição 16.662 teve origem em relatório da Polícia Federal elaborado a partir dessas informações e contém diálogos que teriam relação com Alexandre de Moraes. O presidente da Corte, Edson Fachin, levou o caso ao plenário para análise.
Na sessão de 15 de setembro, os ministros discutiram inicialmente se duas petições relacionadas ao caso deveriam ser analisadas conjuntamente. O pedido de vista de Flávio Dino interrompeu a discussão.
O mérito da petição relacionada a Moraes não chegou a ser examinado naquela sessão.
A decisão sobre a tramitação dos casos ocorre em meio a divergências públicas entre ministros, aumentando a exposição do Supremo justamente durante a campanha eleitoral.
Crise chega à campanha presidencial
A disputa em torno do STF passou a ocupar um espaço maior nas estratégias eleitorais dos dois principais grupos políticos.
Para Flávio Bolsonaro, as divergências na Corte servem de argumento para defender mudanças no funcionamento e na composição do Supremo. O candidato também procura vincular Lula a ministros que, segundo seu discurso, representariam a atual configuração do tribunal.
Para Lula, o desafio é responder às críticas sem transformar a campanha em um debate exclusivamente sobre o Supremo. O presidente tem defendido a separação entre os poderes e, ao mesmo tempo, feito manifestações favoráveis à atuação de Moraes em processos que considera importantes para a democracia.
A questão também envolve o próprio Flávio Bolsonaro, que é alvo de investigação no caso Banco Master. A existência da investigação não significa condenação, e o senador nega as acusações.
STF terá novos capítulos após a sessão
O episódio de setembro ainda não encerrou as discussões dentro do Supremo. O pedido de vista feito por Flávio Dino suspendeu a análise da questão de ordem que tratava da reunião dos processos relacionados ao caso Master.
Com isso, a crise entre os ministros permanece como um dos assuntos que podem continuar repercutindo na campanha presidencial nas próximas semanas.
O cenário também mostra como questões envolvendo o Judiciário passaram a se misturar ao debate eleitoral de 2026. Para os candidatos, o desafio é disputar a interpretação dos acontecimentos do Supremo sem perder espaço para temas econômicos, sociais e administrativos que também fazem parte da corrida presidencial.
Até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, novos desdobramentos do caso podem alterar o espaço ocupado pelo STF nos discursos dos candidatos.

