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Sempre defendi que os melhores jogadores deveriam ser convocados para a Seleção Brasileira. Mas reunir um grupo de estrelas não é garantia de sucesso. Grandes times e seleções já fracassaram justamente por isso, seja pelo ego, seja pela falta de entrosamento entre atletas que, individualmente, acabam rendendo mais do que quando precisam atuar em conjunto.
Ainda assim, tivemos grandes Seleções entre as últimas seis Copas do Mundo. O que não dá para negar é que, nesse período, o Brasil perdeu parte da sua identidade. Ao convocar cada vez mais jogadores que deixaram o país ainda muito jovens para atuar no exterior, a Seleção também se distanciou do futebol brasileiro — e isso ajuda a explicar o afastamento do torcedor.
Na primeira convocação pós-Copa de 2026, Carlo Ancelotti chamou dez jogadores que atuam no futebol brasileiro: Hugo Souza, Matheuzinho e Breno Bidon, do Corinthians; Pedro e Samuel Lino, do Flamengo; Morisco, do Coritiba; Otávio, do Cruzeiro; Artur Dias, do Athletico-PR; Danilo Santos, do Botafogo; e Gabriel Bontempo, do Santos.
Posso não concordar com todos os nomes da lista acima, mas entendo a mensagem por trás dela. Não insistir em medalhões que já tiveram oportunidades e não conseguiram fazer a Seleção funcionar é parte de um processo necessário de renovação. Se esses jogadores não renderam nas Copas de 2018, 2022 e 2026, por que acreditar que teriam um desempenho diferente em 2030?
O tempo passa, novas gerações surgem e chega a hora de passar o bastão. É o momento de os novos talentos assumirem a responsabilidade e mostrarem que atuar no futebol brasileiro não os torna menos preparados para vestir a camisa da Seleção. Talvez seja cedo para saber até onde essa geração pode chegar, mas o ciclo da Copa de 2030 já começou — e Ancelotti deu o primeiro passo na direção certa.
