Foto: Reprodução/The Exodus Road Brazil
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Vinte e três brasileiros relatam ter sido enganados e obrigados a aplicar golpes virtuais no Camboja; grupo está sem passaportes e aguarda condições para retornar ao Brasil.

Duas moradoras de Uberaba estão entre os 23 brasileiros que permanecem retidos em Madagascar após serem vítimas de falsas promessas de emprego no exterior. Segundo a ONG The Exodus Road Brazil, o grupo foi atraído com ofertas de trabalho e salários altos, mas acabou levado ao Camboja e obrigado a participar de uma rede de golpes virtuais.

As duas uberabenses viajaram com a promessa de trabalhar em um salão de beleza na Tailândia. De acordo com o irmão delas, a família só descobriu o que realmente acontecia depois que uma das mulheres conseguiu contato e relatou que elas estavam sendo mantidas em cativeiro e forçadas a aplicar golpes, incluindo falsas abordagens em nome da Polícia Federal e o chamado “golpe do amor”.

Após uma operação policial, os brasileiros foram levados do Camboja para Madagascar em 19 de agosto. Parte do grupo ficou detida por alguns dias e todos foram liberados até o dia 22, mas permaneceram sem os passaportes. Com auxílio da ONG, foram acolhidos por uma organização local e estão hospedados em uma casa, recebendo alimentação e outros itens básicos.

As famílias agora tentam viabilizar o retorno ao Brasil. Segundo o irmão das moradoras de Uberaba, cada passagem custa cerca de R$ 5,5 mil até São Paulo, além do deslocamento para Minas Gerais. O Itamaraty informou que presta assistência consular e mantém contato com as autoridades locais. A repatriação, porém, é considerada medida excepcional e depende da comprovação de que os brasileiros não têm condições de custear a viagem.

A ONG alerta que o caso faz parte de uma modalidade de tráfico de pessoas em que vítimas são atraídas por propostas de emprego no exterior e acabam exploradas em centrais de crimes cibernéticos. A organização também ressalta que cabe às autoridades avaliar individualmente a situação de cada integrante do grupo.

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