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Política – A oposição prepara uma série de medidas de obstrução para tentar adiar para depois das eleições a votação da PEC que prevê o fim da escala 6×1. As estratégias devem ser colocadas em prática na próxima semana, durante a tramitação da proposta no Senado.
Uma das principais iniciativas será a apresentação de um requerimento para que a PEC seja analisada por outras comissões da Casa, além da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A intenção é encaminhar o texto também à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), sob o argumento de que a mudança na jornada de trabalho poderá gerar impactos para as empresas.
O senador Laércio Oliveira (PP-SE), um dos principais articuladores contrários à proposta, afirmou que a oposição pretende utilizar diferentes mecanismos regimentais para dificultar uma votação rápida no plenário.
Entre as medidas previstas estão pedidos de adiamento, solicitações de votação nominal e oposição à quebra de interstício, regra que permite dispensar determinados intervalos exigidos entre etapas de uma votação.
PEC deve passar pela CCJ
O texto está previsto para ser analisado pela CCJ na quarta-feira (2). O relator, senador Omar Aziz, deverá apresentar seu relatório até quinta-feira.
A tendência é que Aziz mantenha o texto aprovado pela Câmara dos Deputados. Dessa forma, caso seja aprovado pelo Senado sem alterações, a proposta não precisará retornar à Câmara para uma nova análise.
Segundo aliados, o relator conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e defendeu a manutenção do texto e a celeridade na tramitação.
Mesmo entre senadores favoráveis à proposta, porém, existe a avaliação de que a aprovação e promulgação antes das eleições não será simples.
O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que a votação dependerá de um acordo entre as lideranças e do posicionamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Alcolumbre pode ser decisivo
A oposição também conta com o apoio de Alcolumbre para postergar a análise da proposta. Segundo senadores ouvidos pela CNN Brasil, o compromisso do presidente do Senado com o Palácio do Planalto seria encaminhar a PEC para a CCJ, sem necessariamente apoiar sua aprovação.
Alcolumbre já teria sinalizado a aliados que pretende deixar a votação da proposta para depois das eleições. Senadores, entretanto, avaliam que essa posição ainda pode mudar.
A definição do calendário deve ser um dos principais pontos de disputa entre governo e oposição nas próximas semanas.
Governo quer acelerar votação
O fim da escala 6×1 é uma das principais pautas trabalhistas defendidas pelo governo Lula e também ganhou espaço no debate eleitoral de 2026.
Para conseguir aprovar a PEC antes das eleições, o governo precisará superar a estratégia de obstrução da oposição e obter um acordo entre as lideranças do Senado.
Como se trata de uma proposta de emenda à Constituição, a matéria precisa cumprir um rito específico e alcançar quórum qualificado para ser aprovada. Por isso, mesmo com apoio político à medida, a tramitação acelerada depende de articulação entre os líderes partidários e da presidência da Casa.

