|
Getting your Trinity Audio player ready...
|
Baixada Santista – Policiais militares destruíram mesas, bancos e outras estruturas de uma praça durante uma operação contra o tráfico de drogas em Santos, no litoral de São Paulo. A ação aconteceu na segunda-feira (24), na Praça José Lamacchia, no bairro Bom Retiro, na Zona Noroeste da cidade.
Segundo a Polícia Militar, a remoção das estruturas ocorreu porque o espaço era usado como ponto de apoio por criminosos e dificultava o acesso das forças de segurança. Durante a operação, os agentes também apreenderam drogas, dinheiro, equipamentos e anotações relacionadas ao tráfico.
A Prefeitura de Santos informou que irá avaliar os reparos necessários no local. A administração municipal afirmou ainda que não havia sido comunicada sobre a demolição das estruturas.
PM diz que praça era usada por organização criminosa
Em nota, a Polícia Militar afirmou que o local “estava sob domínio de organização criminosa” e havia se tornado inseguro e insalubre para os moradores.
De acordo com a corporação, coberturas, bancos e mesas dificultavam a entrada das equipes de segurança e poderiam colocar a população em risco. A PM afirmou que a retirada teve objetivo “estritamente de segurança pública”.
Durante a operação, policiais utilizaram marretas para quebrar estruturas de concreto. Parte do material também foi destruída com fogo.
A corporação informou que os resíduos foram retirados com apoio da Terra Santos, empresa responsável pela limpeza urbana. A PM também afirmou que haverá policiamento contínuo na região e que a praça deverá ser devolvida para utilização da população.
“A ocupação desses espaços pelo tráfico priva os cidadãos do direito à convivência e ao lazer, além de representar risco permanente à vida dos moradores do entorno”, declarou a corporação.
Drogas, dinheiro e materiais foram apreendidos
Além da remoção das estruturas, a operação resultou na apreensão de materiais que, segundo a PM, eram utilizados no tráfico de drogas.
Foram apreendidos R$ 180,25 em dinheiro, duas balanças de precisão, um celular, dois pacotes de tubos destinados ao armazenamento de entorpecentes e três cadernos com anotações.
Também foram encontradas porções de cocaína, maconha e crack.
Durante a ação, os policiais identificaram ainda um ponto de furto de água e conduziram o responsável até a delegacia.
Prefeitura diz que vai avaliar reparos
Após a destruição das estruturas, a Prefeitura de Santos informou que a Prefeitura Regional da Zona Noroeste fará uma avaliação na Praça José Lamacchia para verificar quais reparos serão necessários.
Segundo a administração municipal, não houve comunicação prévia sobre a demolição. A Terra Santos foi acionada pela própria Polícia Militar para fazer a retirada dos resíduos.
A Guarda Civil Municipal (GCM) não participou da ação e, de acordo com a prefeitura, não foi acionada.
O g1 questionou a Polícia Militar sobre a existência de autorização para a remoção das estruturas, mas não havia recebido resposta até a última atualização da reportagem.
Praça tem histórico de violência
A Praça José Lamacchia já foi palco de ocorrências violentas e confrontos com mortes.
Em fevereiro de 2024, o policial militar Samuel Wesley Cosmo, integrante da Rota, foi baleado no rosto durante um patrulhamento na região. Ele chegou a ser levado para a Santa Casa de Santos, mas morreu em decorrência dos ferimentos.
A morte do policial ocorreu durante uma operação de combate ao tráfico e deu início à segunda fase da Operação Verão na Baixada Santista.
No mês seguinte, Edneia Fernandes Silva, de 31 anos, também morreu após ser atingida na cabeça por uma bala perdida enquanto estava sentada em um banco da praça conversando com uma amiga. Segundo o boletim de ocorrência, ela deixou seis filhos.
Em abril de 2024, Carlos Henrique Barbosa Garcia, de 26 anos, foi baleado e morto por policiais militares na mesma praça. Segundo a ocorrência divulgada na época, ele teria ameaçado os agentes.
O histórico de violência ajuda a explicar a preocupação das autoridades com a segurança no espaço, mas a retirada das estruturas também provocou questionamentos sobre a preservação e a recuperação da praça para uso dos moradores.
