Existe uma pergunta por trás de toda a polêmica entre Mara Maravilha e Xuxa que talvez seja mais interessante do que saber quem está certa ou errada: por que Xuxa continua ocupando tanto espaço nas declarações de Mara, décadas depois do auge da disputa entre as duas?
É importante deixar claro: não é possível fazer um diagnóstico psicológico de Mara sem conhecê-la pessoalmente. Mas, observando suas declarações públicas e a história das duas, é possível levantar algumas hipóteses. E talvez a explicação não esteja simplesmente em “inveja” ou “rancor”.
Pode existir uma mistura de rivalidade, comparação, ressentimento e necessidade de reconhecimento.
Mara e Xuxa surgiram praticamente no mesmo universo profissional. As duas eram apresentadoras infantis, tinham programas de televisão, discos, publicidade e enorme exposição. Só que suas trajetórias tomaram proporções diferentes.
Enquanto Mara construiu uma carreira importante, Xuxa se transformou em um dos maiores fenômenos da televisão brasileira.
E é justamente aí que pode nascer uma comparação difícil de abandonar. Quando duas pessoas começam em posições semelhantes, mas uma delas passa a ocupar um espaço muito maior na memória coletiva, é possível que a outra comece a enxergar a própria trajetória através desse parâmetro.
Não necessariamente pensando: “eu queria ser a Xuxa”. Pode ser algo mais profundo:
“Por que a história dela é contada dessa maneira e a minha não?”. Essa sensação pode ficar ainda mais forte quando existe um sentimento de injustiça. E Mara já utilizou justamente essa palavra para explicar suas críticas. Em declarações recentes, afirmou que não se trata de ódio, mas de um sentimento de injustiça.
Porque quem sente que foi injustiçado pode continuar voltando ao assunto justamente porque acredita que sua versão dos acontecimentos ainda não foi reconhecida. É como se existisse uma conta emocional que nunca foi encerrada.
Mas há uma contradição interessante: mesmo depois das críticas, Mara também já demonstrou carinho e preservou memórias ao lado de Xuxa.
Isso mostra que admiração e ressentimento podem coexistir. Às vezes, a pessoa que mais incomoda é justamente aquela cuja opinião mais importa. E talvez exista ainda uma necessidade de reconhecimento.
No fim, talvez a pergunta não seja apenas: “Por que Mara fala tanto de Xuxa?”, talvez seja: “O que Xuxa representa para Mara?”
