A primeira semana de agosto foi daquelas para Neymar. O camisa 10 do Santos arrecadou milhões no 6º Leilão Beneficente do Instituto Neymar Jr., voltou a ser decisivo dentro de campo e ajudou o Santos a garantir a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil depois de um longo hiato. Mas nada disso dominou o debate.
Na saída de campo após a classificação sobre o Remo, em Belém, bastou uma comemoração em resposta às provocações que ouviu durante toda a partida para incendiar as redes. O gesto virou assunto nacional e, para muitos, pareceu mais importante do que tudo o que ele fez dentro e fora das quatro linhas.
Nos anos 1990, esse tipo de reação seria encarado como combustível do futebol. Personalidade, rivalidade e resposta ao ambiente sempre fizeram parte do espetáculo. Só que hoje, qualquer atitude de Neymar ganha uma dimensão desproporcional, como se o julgamento à pessoa Neymar viesse antes mesmo dos fatos.
Nesse episódio, a resposta mais dura veio do presidente do Remo, que ultrapassou a crítica esportiva e partiu para ofensas pessoais – classificando o meia-atacante como “Vagabundo”. É legítimo discordar de uma comemoração, mas transformar um gesto de provocação em motivo para ataques desse nível revela mais sobre quem diz e menos sobre quem é atacado.
Neymar fecha a semana com uma assistência decisiva, a classificação do Santos e milhões levantados para as mais de 3 mil crianças atendidas por seu instituto em Praia Grande, no litoral de SP. No fim, isso tudo foi deixado por conta da polêmica. Afinal, falar bem rende pouco. Fazer de Neymar o vilão continua dando muito mais audiência.
