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O Brasil alcançou antes do previsto a meta nacional de redução dos homicídios dolosos...
Foto: All Rights Reserved Criador: Logan Bannatyne
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O Brasil alcançou antes do previsto a meta nacional de redução dos homicídios dolosos, mas um outro indicador da violência segue caminhando na direção oposta. Enquanto as mortes violentas intencionais caíram 8,2% em 2025, os casos de feminicídio cresceram 4%, atingindo o maior número desde que esse tipo de crime passou a ser contabilizado de forma específica no país.

Os dados fazem parte do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública e mostram que o país registrou 40.775 mortes violentas intencionais no último ano, a menor taxa dos últimos 13 anos. Com esse resultado, o governo federal informou que a meta prevista na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social para 2027 foi atingida com antecedência.

Mas, ao mesmo tempo, a violência contra a mulher continua crescendo. Em 2025, foram registrados 1.571 feminicídios, uma média de aproximadamente quatro mulheres mortas por dia em razão da condição de gênero. O número representa um aumento de 4% em relação ao ano anterior e marca o quarto recorde consecutivo desde o início da série histórica.

O levantamento também aponta que a maioria das vítimas era composta por mulheres negras e jovens, enquanto cerca de 80% dos crimes foram cometidos por companheiros ou ex-companheiros, reforçando que o feminicídio, na maior parte das vezes, acontece dentro do ambiente doméstico.

Para especialistas, a redução dos homicídios está relacionada ao fortalecimento de políticas de segurança pública, inteligência policial e combate ao crime organizado. Já o feminicídio possui características diferentes, ligadas principalmente à violência doméstica, ao controle sobre a mulher e às desigualdades de gênero, o que exige políticas específicas de prevenção e proteção.

Outro dado que preocupa é que dezenas de mulheres assassinadas possuíam medidas protetivas em vigor, evidenciando dificuldades na efetiva aplicação dos mecanismos de proteção previstos em lei. Além disso, os registros de tentativas de feminicídio também continuam em alta, indicando que a violência contra a mulher permanece como um dos principais desafios da segurança pública brasileira.

Os números revelam um cenário paradoxal: embora o país apresente avanços no enfrentamento da violência letal em geral, o feminicídio continua crescendo e demonstra que reduzir homicídios, por si só, não significa que todas as pessoas estejam igualmente mais seguras.

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