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Câncer de próstata mata 48 homens por dia no Brasil; diagnóstico precoce aumenta chance de cura
Foto reprodução
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O diagnóstico de câncer de próstata revelado pelo influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, de 59 anos, voltou a chamar atenção para uma das doenças que mais afetam a saúde masculina no Brasil. A enfermidade é responsável pela morte de 48 homens por dia no país, segundo dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Lito contou que descobriu o tumor durante exames de rotina, após alterações no PSA levarem a uma investigação mais detalhada. O diagnóstico confirmou um adenocarcinoma de agressividade intermediária, mas a doença foi identificada enquanto ainda estava restrita à próstata, cenário considerado mais favorável para o tratamento.

O influenciador afirmou que sempre realizou acompanhamento médico e exames preventivos, incluindo o toque retal, mas que os exames anteriores não haviam identificado o tumor.

“Eu sempre me cuidei e faço exames de rotina, inclusive aquele que muitos homens se negam a fazer. E, mesmo fazendo check-up de rotina, não foi possível identificar antes o que eu descobri recentemente”, relatou.

Doença silenciosa preocupa especialistas

O câncer de próstata é o tipo de câncer mais frequente entre os homens brasileiros, desconsiderando o câncer de pele não melanoma.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 71,7 mil novos casos por ano da doença. A maior parte dos diagnósticos ocorre em homens com mais de 50 anos, mas especialistas também acompanham o aumento de casos em pacientes mais jovens.

Dados do Ministério da Saúde mostram que os atendimentos relacionados ao câncer de próstata em homens com até 49 anos cresceram 32% entre 2020 e 2024, passando de 2,5 mil para 3,3 mil procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para o urologista Rafael Ambar, do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), o aumento pode estar relacionado ao maior acesso aos exames e ao diagnóstico precoce.

“Esse aumento mostra que os homens estão chegando antes, o que é positivo. Mais exames e mais diagnósticos significam mais chances de cura”, afirmou.

Segundo Roberto Gil, diretor-geral do INCA, o crescimento dos registros está ligado principalmente ao envelhecimento da população e à ampliação do acesso aos exames.

Mortalidade aumentou nos últimos anos

Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, 17.587 homens morreram em decorrência do câncer de próstata em 2024. O número representa uma média de 48 mortes por dia e mostra um aumento de 21% na mortalidade ao longo de dez anos.

Apesar dos números, especialistas destacam que a descoberta precoce muda o cenário da doença. Quando o tumor é identificado antes de atingir outros órgãos, a taxa de cura pode ultrapassar 90%.

Por que o câncer de próstata é difícil de identificar?

A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga e responsável por produzir parte do líquido que compõe o sêmen.

O câncer ocorre quando células do órgão passam a se multiplicar de forma desordenada. Em muitos casos, o crescimento é lento e permanece restrito à próstata durante anos.

O tipo mais comum é o adenocarcinoma, o mesmo identificado em Lito Sousa, responsável pela maioria dos casos.

O principal desafio é que, nas fases iniciais, a doença costuma ser silenciosa.

“O câncer de próstata é silencioso. Quando dá sintomas, geralmente já está em estágio avançado”, explica o urologista Luiz Otávio Torres, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia.

Quando aparecem, os sintomas podem incluir:

  • dificuldade para urinar;
  • jato urinário fraco ou interrompido;
  • sangue na urina ou no sêmen;
  • dor ao urinar;
  • dores nos ossos, principalmente na coluna e nos quadris.

Especialistas alertam, porém, que esses sinais também podem estar relacionados a alterações benignas da próstata, sendo necessária uma avaliação médica para identificar a causa.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do câncer de próstata não depende de apenas um exame.

O PSA, feito por meio de exame de sangue, mede uma proteína produzida pela próstata. Alterações podem indicar câncer, mas também podem ocorrer em casos de aumento benigno da glândula ou inflamações.

O toque retal permite avaliar características como tamanho, consistência e presença de nódulos que podem não aparecer no PSA.

Quando existe suspeita, o médico pode solicitar uma ressonância magnética multiparamétrica. A confirmação definitiva é feita por meio da biópsia, que analisa fragmentos da próstata em laboratório.

Homens com histórico familiar de câncer de próstata, mama ou colorretal devem conversar com um urologista sobre iniciar o acompanhamento a partir dos 40 anos. Para os demais casos, a avaliação costuma começar aos 45 anos, considerando idade, histórico e fatores de risco.

Tratamento depende da fase da doença

O tratamento varia conforme o estágio do câncer, a agressividade do tumor e as condições de saúde do paciente.

Em casos de baixo risco, alguns homens podem ser acompanhados por meio da chamada vigilância ativa, sem necessidade de intervenção imediata.

Quando o tumor está localizado, as principais opções incluem cirurgia para retirada da próstata ou radioterapia.

Nos casos em que a doença se espalhou para outros órgãos, podem ser utilizados tratamentos como hormonioterapia, quimioterapia, medicamentos de nova geração e radiofármacos.

Segundo Maurício Cordeiro, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da Sociedade Brasileira de Urologia, o acompanhamento regular é fundamental.

“É a doença que mais bem responde ao diagnóstico precoce. O que salva vidas é o acompanhamento regular, não a sorte”, afirmou.

A descoberta do câncer por Lito Sousa antes do surgimento de sintomas reforça a importância da prevenção e do diálogo dos homens com profissionais de saúde sobre exames e acompanhamento individualizado.

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