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O crescimento no número de acidentes de trânsito envolvendo motociclistas deixou de ser apenas um problema de tráfego e virou uma crise de saúde pública em todo o Brasil. O aumento constante de ocorrências e a gravidade dos ferimentos estão lotando as emergências e pressionando o atendimento dos hospitais públicos, gerando impactos operacionais e financeiros graves.
Os dados recentes detalham o tamanho do problema. Em Curitiba, o Samu atende hoje quase 50% mais ocorrências com motos do que há cinco anos. No Rio de Janeiro, a demanda por socorro a esse grupo subiu mais de 13% apenas neste ano. Esse crescimento segue uma tendência alarmante: entre 2022 e 2025, a taxa de internações de motociclistas no estado fluminense já havia saltado quase 50%, acompanhada por um aumento de 55% na mortalidade.
O cenário crítico se repete em outros estados do Sudeste. Em São Paulo, quase metade das mortes no trânsito registradas envolvem pessoas que estavam em motocicletas. Já em Minas Gerais, o impacto direto na rede de saúde gera uma média de 41 internações diárias para tratar vítimas desse tipo de colisão.
Essa alta procura pressiona os hospitais públicos, que precisam remanejar leitos, equipes de ortopedia e insumos para traumas. O tratamento dessas lesões gera custos muito altos, que em várias unidades superam o orçamento padrão e acabam atrasando ou prejudicando o atendimento de pacientes com outras doenças.
Especialistas reforçam que a maior parte dessas ocorrências poderia ser evitada com atitudes preventivas simples, como o uso correto do capacete, o respeito aos limites de velocidade e mais cuidado no compartilhamento das vias.
A expectativa agora gira em torno da criação de novas campanhas educativas e do reforço na fiscalização de trânsito para tentar frear essa escalada nas estatísticas.

