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Flávio Bolsonaro nos EUA
Reprodução internet
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Política – As negociações entre Brasil e Estados Unidos para evitar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros ganharam um novo capítulo neste domingo (5). O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou aos Estados Unidos para participar de uma audiência pública sobre o tema, enquanto representantes do governo brasileiro mantêm conversas com autoridades americanas na tentativa de impedir a adoção da medida.

A poucos dias da decisão prevista pelo governo dos Estados Unidos, diferentes frentes de atuação buscam influenciar o resultado da investigação comercial conduzida por Washington.

Flávio Bolsonaro participa de audiência pública nos EUA

Flávio Bolsonaro será um dos expositores na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), responsável pela investigação comercial aberta contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação americana.

A participação do senador está prevista para a próxima terça-feira (7), às 10h no horário de Washington (11h em Brasília). Durante cerca de cinco minutos, ele deverá defender que a tarifa adicional de 25% não seja aplicada aos produtos brasileiros e pedir que os dois países encontrem uma solução por meio do diálogo.

Segundo o parlamentar, a sobretaxa pode causar prejuízos para exportadores e consumidores brasileiros. Flávio também pretende reforçar que o Pix não deve integrar a disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Documento propõe suspensão temporária das tarifas

Antes da viagem, o senador encaminhou um documento de 86 páginas ao USTR solicitando a suspensão temporária da tarifa enquanto as negociações entre os dois países prosseguem.

A proposta prevê a criação de um canal bilateral de diálogo com cronograma definido para discutir os temas investigados pelos Estados Unidos. O texto ressalta que a suspensão das tarifas não encerraria a investigação comercial, que permaneceria em andamento até uma solução negociada.

Além de Flávio Bolsonaro, a audiência contará com a participação de Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), que representará a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).

Investigação analisa políticas comerciais do Brasil

A investigação conduzida pelo USTR avalia se políticas brasileiras afetam interesses comerciais dos Estados Unidos em diferentes áreas.

Entre os temas analisados estão:

  • comércio digital;
  • meios eletrônicos de pagamento, incluindo o Pix;
  • proteção da propriedade intelectual;
  • acesso ao mercado de etanol;
  • tarifas preferenciais;
  • combate à corrupção;
  • ações de enfrentamento ao desmatamento ilegal.

Antes de decidir sobre possíveis medidas, o governo americano abriu espaço para manifestações de empresas, entidades, especialistas e representantes dos dois países.

Veja também: Lula lidera redes sociais; Flávio Bolsonaro domina engajamento

Governo brasileiro mantém negociações

Enquanto Flávio Bolsonaro participa da audiência nos Estados Unidos, o governo brasileiro segue negociando diretamente com representantes da administração do presidente Donald Trump.

Até 15 de julho, data prevista para a conclusão da investigação e eventual anúncio das novas tarifas, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, deverá realizar mais duas reuniões com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Segundo o governo brasileiro, a estratégia é buscar uma convergência que evite a aplicação do tarifaço sem abrir mão de pontos considerados essenciais para o país.

Em reunião realizada na última quinta-feira (2), o ministro reafirmou que o Pix não faz parte da negociação. No entanto, apresentou propostas relacionadas aos demais pontos da investigação, incluindo acesso ao mercado de etanol, propriedade intelectual, tarifas preferenciais, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

O Palácio do Planalto também sustenta que a reversão das tarifas deve ocorrer independentemente do resultado das eleições brasileiras, defendendo que a negociação seja conduzida com foco nos impactos econômicos para ambos os países.

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