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Olá queridos leitores, o assunto dessa semana é um pouco diferente, é reflexivo, mas também informativo.
Se você acompanha a minha coluna por aqui toda semana, sabe o quanto defendo o equilíbrio e a evolução nas relações. E a verdade é que não dá para falar de casamentos e lares prósperos hoje sem reconhecer a revolução mais profunda das últimas décadas: a evolução histórica da mulher no mercado de trabalho. De coadjuvantes financeiras a pilares do sustento e da liderança, a independência feminina reconfigurou a dinâmica familiar. Mas fato é, homens e mulheres merecem, sim, os mesmos direitos e espaços.
Eu defendo que os homens devem ser provedores? Sim.
Eu defendo que as mulheres devem estar no mercado de trabalho e são tão boas quanto os homens? Sim.
A decisão de estar ou não no mercado de trabalho, dividir as contas, ajudar em casa… é única e exclusiva de cada família, até mesmo porque eu (que lhes escrevo) trabalho, e trabalho muito. Mas isso depende da dinâmica e realidade de cada família.
Por isso, quando lemos que uma multinacional como a fabricante da Ortobom foi condenada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) a pagar R$ 300 mil em danos morais coletivos por ter, em 2022, 24 cargos de gerência exclusivamente masculinos, o primeiro impulso coletivo é o aplauso. Afinal, a justiça parece estar sendo feita.
Mas o papel da informação, é a informação. E o motivo pelo qual você me lê, é olhar para onde ninguém está olhando. É descer os bastidores. E o que encontramos ali atrás é um enredo sombrio que deveria nos fazer questionar até quando causas legítimas serão usadas como moeda de troca.
A primeira grande ironia começa no próprio topo do Judiciário. Enquanto o TST pune a iniciativa privada por falta de representatividade, o próprio tribunal historicamente reflete essa mesma disparidade. Em toda a sua história, o TST teve apenas uma presidente mulher. Indo mais a fundo na burocracia do sistema: a lista tríplice de indicação para o tribunal sequer exige obrigatoriamente a presença de nomes femininos. Na sétima turma, que manteve a condenação da fábrica, não havia uma única mulher sentada na bancada de juízes. Eles cobram o que o próprio regulamento não pratica.
Mas a verdadeira reviravolta dessa história, e o ponto que transforma a discussão ideológica em um caso de polícia, envolve a origem da denúncia.
A procuradora do Ministério Público do Trabalho (MPT) que moveu a ação civil pública contra a empresa Ortobom por discriminação de gênero acabou de se tornar ré no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A acusação do Ministério Público Federal (MPF) é grave: ela é suspeita de desviar nada menos que R$ 7,1 milhões em acordos judiciais, multas e indenizações trabalhistas coletivas. E para onde ia esse dinheiro? Para o Instituto Lixo e Cidadania do Paraná.
Defender a evolução das mulheres e a integridade das famílias exige, obrigatoriamente, não fechar os olhos para o oportunismo. Quando multas de caráter social são aplicadas sob o pretexto de reparar uma injustiça histórica, mas o dinheiro termina no bolso de quem deveria fiscalizar, a causa é esvaziada. Perde a credibilidade quem realmente tem mérito para ocupar o topo.
Para que a sociedade avance e os lares prosperem, precisamos de integridade real, e não de um sistema onde o combate ao preconceito sirva de cortina de fumaça para o desvio de dinheiro público ou falso moralismo.
A reflexão de hoje é incômoda, quase indigesta, mas vital. O verdadeiro perigo de escândalos como esse não é apenas o desvio do dinheiro em si, mas o rastro de cinismo que eles deixam para trás. Quando a busca legítima pela evolução das mulheres é instrumentalizada, o preço mais alto é pago pela própria sociedade, que perde a fé na justiça e passa a olhar com desconfiança para causas que deveriam nos unir.
