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Politica – A equipe da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia que o atrito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deve representar apenas um “arranhão” na corrida ao Palácio do Planalto. Apesar do esforço para conter os danos à imagem do pré-candidato, aliados admitem que o episódio está longe de encerrar as divergências políticas e familiares nos bastidores.
A crise ganhou repercussão após Michelle divulgar vídeos com críticas a Flávio Bolsonaro, expondo desentendimentos sobre estratégias políticas adotadas pelo Partido Liberal (PL). Desde então, integrantes da campanha trabalham para reduzir o impacto do episódio, principalmente junto ao eleitorado feminino e evangélico.
Aliados avaliam desgaste como controlado
Segundo interlocutores da pré-campanha, as manifestações públicas de Flávio Bolsonaro ajudaram a conter a repercussão negativa nas primeiras 24 horas após a divulgação dos vídeos.
O grupo também afirma que o monitoramento das redes sociais indicou que parte da reação do público foi mais desfavorável à própria Michelle Bolsonaro, sob a avaliação de que o episódio poderia estimular divisões dentro do campo político conservador.
Ainda assim, aliados reconhecem que o conflito familiar permanece sem solução definitiva.
Michelle criticou alianças políticas do PL
Nos vídeos publicados nas redes sociais, Michelle Bolsonaro criticou a aliança do PL com o pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB). Ela afirmou que foi maltratada, desrespeitada e humilhada por Flávio Bolsonaro em razão das divergências sobre a estratégia eleitoral.
Após a repercussão, o senador respondeu por meio de uma publicação nas redes sociais. No texto, negou as acusações e afirmou estar “de coração aberto” para dialogar com a ex-primeira-dama.
Em seguida, Fernanda Bolsonaro, esposa do parlamentar, também saiu em defesa do marido, classificando-o como um homem “leve, respeitoso e carinhoso”.
Tom foi reduzido após manifestações públicas
Na quinta-feira (25), Flávio Bolsonaro voltou a se pronunciar em vídeo. O senador pediu desculpas, afirmou que não teve intenção de ofender Michelle e declarou que “divergências de estratégia não significam divergências de princípios”.
Michelle Bolsonaro também adotou um discurso mais conciliador ao afirmar que “não há briga, nem competição” e que “não tem raiva de ninguém”. Segundo ela, a intenção foi apenas esclarecer uma situação que estaria sendo interpretada de forma equivocada.
Bastidores seguem marcados por tensão
Apesar da tentativa de apaziguar o episódio publicamente, dirigentes do PL afirmam, sob reserva, que Michelle Bolsonaro busca um protagonismo considerado excessivo neste momento da pré-campanha.
Embora reconheçam sua influência junto ao eleitorado feminino e evangélico, integrantes da legenda avaliam que a ex-primeira-dama extrapolou ao tornar público um conflito interno da família Bolsonaro.
Nos bastidores, aliados acreditam que caberá ao ex-presidente Jair Bolsonaro atuar como mediador do impasse. A expectativa é que ele faça uma manifestação pública semelhante à realizada no fim do ano passado, quando confirmou Flávio Bolsonaro como pré-candidato do partido à Presidência da República.

