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O resultado supera qualquer maio registrado nos 31 anos de série histórica da Receita Federal e eleva o acumulado do ano a R$ 1,32 trilhão — também recorde para o período de janeiro a maio.

Alta do petróleo impulsiona receitas não administradas pela Receita

A valorização do petróleo no mercado internacional foi o principal vetor do resultado. O ambiente de tensão no Oriente Médio elevou os preços da commodity e, com isso, as receitas com royalties, compensações financeiras e tributação sobre exportações.

Somente em maio, o imposto de exportação sobre petróleo gerou R$ 1,05 bilhão. As receitas não administradas diretamente pela Receita Federal — que incluem royalties e participações governamentais — cresceram R$ 4,1 bilhões no mês. No acumulado de janeiro a maio, a arrecadação ligada à extração de petróleo e gás natural somou R$ 50,6 bilhões, ante R$ 13,2 bilhões no mesmo período de 2025 — salto de quase quatro vezes em um ano.

IRPJ, CSLL e IOF registram crescimento acima de 30%

Além do setor de energia, outros tributos apresentaram desempenho expressivo. O Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) somaram R$ 36,7 bilhões em maio, alta real de 33,11% em relação ao mesmo mês de 2025. A Receita Federal atribui cerca de R$ 7 bilhões desse montante a recolhimentos atípicos decorrentes de mudanças na legislação tributária.

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também avançou com força: R$ 8,1 bilhões no mês, alta real de 31,11% na comparação anual. No acumulado do ano, o IOF soma R$ 41,8 bilhões, com crescimento real de 38,77% frente aos cinco primeiros meses de 2025. PIS, Cofins e contribuições previdenciárias também contribuíram positivamente para o resultado.

Mudanças na legislação amplificam efeito do crescimento econômico

O resultado também reflete medidas adotadas pelo governo nos últimos anos: alterações na tributação de fundos exclusivos e de offshores — empresas de investimento no exterior —, redução de incentivos fiscais estaduais, novas regras para combustíveis, encomendas internacionais, apostas eletrônicas e juros sobre capital próprio.

A Receita Federal, no entanto, sustenta que o principal fator por trás do recorde é o crescimento da atividade econômica e o desempenho dos setores produtivos, e não apenas as mudanças normativas.

Resultado reforça capacidade do governo de cumprir meta fiscal de 2026

O avanço da arrecadação ocorre em momento em que o governo federal busca cumprir a meta fiscal prevista pelo arcabouço fiscal: um superávit primário de R$ 34,3 bilhões, equivalente a 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB).

As regras do arcabouço permitem uma margem de tolerância: o governo pode cumprir a meta com resultado entre zero e aproximadamente R$ 68,6 bilhões de superávit. A legislação também autoriza a exclusão de certas despesas do cálculo oficial, como pagamentos de precatórios — dívidas judiciais reconhecidas pelo governo. Com o ritmo atual de arrecadação, o cumprimento da meta se torna mais factível, embora o desempenho das despesas ao longo do segundo semestre seja determinante para o resultado final do ano.

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