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A saída de Starmer abre uma disputa interna no Partido Trabalhista com três candidatos principais e transforma o Reino Unido no país que terá o sétimo chefe de governo em apenas uma década.

Starmer anuncia saída após menos de dois anos no poder

Keir Starmer assumiu o governo britânico em julho de 2024, encerrando 14 anos de domínio conservador no país. Menos de dois anos depois, ele anunciou formalmente sua renúncia à liderança trabalhista e ao cargo de primeiro-ministro, tornando-se mais um nome em uma série de saídas prematuras do poder no Reino Unido.

Em discurso, Starmer informou que as indicações de candidatos à sua sucessão começam em 9 de julho e que o partido terá um novo líder eleito antes da reabertura do Parlamento, marcada para setembro. Até lá, ele permanece no cargo em caráter interino.

Para concorrer à liderança trabalhista, cada candidato precisa reunir o apoio de pelo menos 81 parlamentares do partido — o equivalente a 20% do total de deputados trabalhistas. A decisão final cabe aos membros filiados ao Partido Trabalhista.

Derrota nas eleições locais de maio precipitou a crise

A pressão sobre Starmer se intensificou em maio, quando os trabalhistas sofreram derrota expressiva nas eleições locais realizadas em toda a Inglaterra. O resultado expôs a baixa aprovação do premiê entre o eleitorado e abriu espaço para que figuras internas do partido passassem a questionar publicamente sua liderança.

Foi nesse contexto que Angela Rayner, então vice-líder, divulgou uma declaração criticando o que chamou de “cultura tóxica de compadrio” dentro do partido e alertou que os trabalhistas estariam diante de sua “última chance”. Rayner, no entanto, havia renunciado ao ano anterior em meio a uma controvérsia tributária ainda sem resolução, o que enfraqueceu sua posição como candidata alternativa.

Na sexta-feira anterior ao anúncio de Starmer, Andy Burnham venceu uma eleição suplementar — um pleito realizado fora do calendário regular para preencher uma vaga específica no Parlamento — com 55% dos votos, superando o candidato do Reform UK por mais de 9 mil votos. A vitória garantiu a Burnham uma cadeira no Parlamento, requisito formal para disputar a liderança do partido.

Três candidatos concentram as apostas para a sucessão

Andy Burnham é apontado como o favorito. Prefeito da Grande Manchester desde 2017, ele é o único nome de peso trabalhista que aparece com aprovação significativamente superior à de Starmer nas pesquisas de opinião. Burnham já havia sinalizado que desafiaria Starmer pela liderança e, em seu discurso de vitória na eleição suplementar, foi explícito: “Esta é a última chance de mudar. Não haverá uma segunda chance. Mas agora existe uma oportunidade.”

Wes Streeting, ex-secretário de Saúde — cargo do qual renunciou após as eleições locais de maio —, representa a ala mais à direita do Partido Trabalhista e é reconhecido como um dos comunicadores mais eficazes do governo. Sua candidatura, porém, enfrenta obstáculos: sua imagem foi associada a Peter Mandelson, demitido do posto de embaixador britânico em Washington depois que veio à tona a profundidade de sua relação com o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.

Angela Rayner, ex-vice-líder do partido, era vista como a principal candidata da ala esquerda trabalhista até Burnham conquistar sua vaga parlamentar. Com a entrada do prefeito de Manchester na disputa, avalia-se que Rayner pode optar por não concorrer diretamente e canalizar seu apoio para Burnham.

Disputa define os rumos do trabalhismo britânico antes de setembro

O processo sucessório terá impacto direto na orientação política do governo britânico. Burnham representa uma linha mais à esquerda e com forte apelo popular nas regiões do norte da Inglaterra — base histórica trabalhista que o partido perdeu para o Partido Conservador e, mais recentemente, para o Reform UK, legenda de direita populista liderada por Nigel Farage.

A escolha do novo líder antes da reabertura do Parlamento, em setembro, deve definir se os trabalhistas buscam uma virada à esquerda, uma consolidação do centro ou uma renovação de imagem para enfrentar o avanço do Reform UK nas próximas eleições gerais, previstas para ocorrer até 2029.

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