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A noite que prometia ser histórica para Luca Zidane virou um teste de resistência. O goleiro de 27 anos, que usava máscara de proteção por causa de uma fratura na mandíbula sofrida semanas antes, falhou nos dois primeiros gols argentinos e viu a Argélia ser goleada por 3 a 0 na abertura do grupo.
Messi aproveitou os dois erros para marcar
No primeiro gol, Messi recebeu pelo meio com espaço, arrancou e bateu de longe. Luca estava levemente adiantado, saltou para a defesa, tocou na bola — mas não conseguiu impedi-la de entrar.
No segundo, Mac Allister chutou rasteiro de fora da área. O goleiro caiu para defender, mas rebateu a bola no centro da pequena área. Messi, sozinho, só empurrou para o gol. No terceiro e último, Luca não teve culpa: o camisa 10 recebeu na linha da grande área e bateu colocado, sem chances de defesa.
Naturalização pelo avô argelino, no caminho inverso do pai
A trajetória de Luca até aquela noite é marcada por uma escolha incomum. Ele nasceu em Marselha, é francês por nascimento, mas optou por defender a Argélia — o mesmo país de origem do avô Smail Zidane, pai de Zinédine. O avô paterno viabilizou juridicamente a naturalização e foi peça central na decisão.
Zinédine fez o caminho contrário: apesar das raízes argelinas, escolheu a França e se tornou bicampeão do mundo (1998) e campeão da Eurocopa (2000). Luca, em 2025, optou pela Argélia.
“Quando penso na Argélia, lembro-me do meu avô. Desde a infância, temos essa cultura argelina na família. Conversei com ele antes de jogar pela seleção nacional, e ele ficou extremamente feliz com esse passo. Toda vez que recebo uma convocação, ele me liga e diz que tomei uma ótima decisão e que está orgulhoso de mim”, disse Luca à BeIN Sports France.
De base do Real Madrid ao destaque no Granada que abriu a porta da Copa
Luca é o filho de Zinédine com maior projeção no futebol profissional. Fez a base no Real Madrid, mas encontrou pouco espaço no time principal. Passou por Racing Santander, Rayo Vallecano e Eibar antes de se firmar como titular no Granada, clube pelo qual vem atuando com regularidade na Espanha.
Foi o desempenho no Granada que chamou a atenção da Federação Argelina, que o sondou sobre a naturalização no segundo semestre de 2025. A estreia na seleção veio no final daquele ano, e Luca rapidamente se consolidou: foi titular na Copa Africana de Nações e um dos destaques do torneio, o que garantiu sua vaga no Mundial.
Argélia precisa reagir contra a Jordânia na terça-feira
A derrota coloca a Argélia em situação delicada logo na abertura da fase de grupos. A equipe volta a campo na terça-feira (17), às 0h (horário de Brasília), contra a Jordânia — partida que assume caráter de obrigação após o placar pesado diante dos argentinos.
Para Luca Zidane, a sequência do torneio será o teste de quanto ele aguenta a pressão de carregar um sobrenome que, nesta Copa, pesa de formas distintas em dois continentes.

