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endividamento das famílias
Reprodução internet
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Economia – O endividamento das famílias brasileiras atingiu um novo recorde em maio de 2026. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% dos lares do país possuíam algum tipo de dívida no período.

O índice superou os 80,9% registrados em abril e marcou o quinto mês consecutivo de crescimento. Na comparação com maio de 2025, quando o percentual era de 78,2%, o avanço também foi significativo.

Endividamento continua em trajetória de alta

A pesquisa considera como endividamento compromissos financeiros como cartão de crédito, cheque especial, empréstimos pessoais, crédito consignado, carnês de lojas, financiamentos de veículos e imóveis, além de cheques pré-datados.

O levantamento mostra que o aumento do endividamento ocorre em um cenário de juros ainda elevados e inflação pressionando o orçamento doméstico.

Além do recorde de famílias com dívidas, a parcela dos brasileiros que se consideram “muito endividados” chegou a 17% em maio, o maior patamar desde junho de 2024.

Inadimplência também cresce

A proporção de famílias com contas em atraso subiu de 29,7% em abril para 29,9% em maio.

Embora o avanço tenha sido pequeno, o indicador permanece em nível elevado e acima do registrado no mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 29,5%.

Já o percentual de famílias que afirmam não ter condições de quitar suas dívidas atrasadas permaneceu estável em 12,3%, repetindo o resultado observado em abril.

Cartão de crédito segue como principal fonte de dívida

O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento das famílias brasileiras.

Segundo a CNC, 84,6% dos consumidores endividados citaram a modalidade entre suas obrigações financeiras.

A entidade alertou para o alto custo do crédito rotativo do cartão, que apresenta uma taxa média de juros de 428,3% ao ano.

Entre as famílias com renda de até três salários mínimos, a situação preocupa ainda mais. Nesse grupo, a inadimplência avançou 1,7 ponto percentual em apenas um mês, alcançando 38,6% em maio.

Juros altos pressionam orçamento das famílias

Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, o elevado custo do crédito continua comprometendo a renda dos brasileiros.

Segundo ele, mesmo com movimentos de redução da taxa básica de juros em determinados períodos, os juros cobrados do consumidor costumam demorar mais para recuar, mantendo elevado o custo das dívidas.

Esse cenário reduz o poder de compra das famílias e aumenta a percepção de risco financeiro, especialmente em um contexto de inflação ainda pressionando despesas essenciais.

Prazo das dívidas aumenta

Apesar do avanço do endividamento, a pesquisa identificou alguns sinais de estabilidade.

A proporção de famílias com dívidas superiores a um ano chegou a 33,3%, indicando uma ampliação dos prazos de pagamento.

Além disso, o comprometimento médio da renda com dívidas caiu para 29,3%.

Entre os inadimplentes, 49,3% relataram possuir contas vencidas há mais de 90 dias, o menor percentual registrado em 2026 até agora. O tempo médio de atraso também recuou para 65 dias.

Desenrola 2.0 gera expectativa

Diante da perspectiva de novos aumentos no endividamento ao longo dos próximos meses, a CNC avalia que o programa Desenrola 2.0 poderá contribuir para reduzir a inadimplência.

A expectativa é que a nova versão da iniciativa federal produza efeitos semelhantes aos observados na primeira edição do programa, lançada em 2023, quando houve melhora nos indicadores relacionados à renegociação de dívidas.

Especialistas acompanham os próximos resultados para avaliar se a medida conseguirá aliviar a pressão financeira sobre milhões de famílias brasileiras.

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