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Política – O contingenciamento de recursos promovido pelo governo federal no orçamento da Defesa provocou a suspensão de operações do Exército brasileiro voltadas ao monitoramento e combate ao crime organizado nas fronteiras do país. O bloqueio orçamentário ocorre em um momento de aumento das preocupações relacionadas ao tráfico internacional, garimpo ilegal e atuação de facções criminosas em áreas estratégicas.
Segundo informações obtidas pela CNN junto a fontes ligadas às operações, o corte total no orçamento da Defesa chegou a R$ 4,3 bilhões em 2026. Desse montante, aproximadamente R$ 1,5 bilhão seria destinado ao Exército, incluindo ações de fiscalização e presença militar em regiões fronteiriças.
Corte no orçamento afeta operações estratégicas
As operações interrompidas eram conduzidas principalmente em regiões consideradas rotas estratégicas para o tráfico internacional de drogas e outros crimes transnacionais.
Fontes militares relataram que a suspensão impacta diretamente o monitoramento de áreas utilizadas para tráfico de drogas, contrabando, garimpo ilegal e crimes ambientais, especialmente em pontos próximos às fronteiras terrestres brasileiras.
Grande parte dessas ações é coordenada pelo Comando Militar da Amazônia e pelo Comando Militar do Oeste, responsáveis por áreas que fazem divisa com países produtores de cocaína e rotas utilizadas pelo crime organizado.
Operação Ágata está entre as ações afetadas
Entre as operações mais conhecidas está a Operação Ágata, utilizada pelo governo federal para reforçar o controle de fronteiras.
Somente neste ano, a operação registrou apreensão superior a 15 toneladas de drogas em ações realizadas na Amazônia. Também foram neutralizadas 62 dragas utilizadas em atividades ilegais de mineração e interrompidas operações de 117 balsas ligadas ao garimpo ilegal.
Os resultados reforçam a importância da presença militar em áreas de difícil acesso, especialmente na região amazônica, onde o monitoramento terrestre enfrenta desafios logísticos e geográficos.
Debate sobre crime organizado aumenta pressão
A suspensão das operações ocorre em paralelo ao debate internacional sobre o combate às facções brasileiras.
Recentemente, autoridades dos Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, posição contestada pelo governo brasileiro.
O tema ampliou a pressão sobre estratégias de segurança pública e fiscalização de fronteiras, consideradas fundamentais para conter o avanço do crime organizado e reduzir o fluxo de drogas e armamentos.
Ministério da Defesa não comentou suspensão
Procurado para comentar os impactos do contingenciamento e a paralisação das operações, o Ministério da Defesa não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.
Especialistas apontam que a redução de investimentos em fiscalização de fronteiras pode trazer reflexos para o combate ao crime organizado, sobretudo em regiões onde a presença do Estado já enfrenta limitações estruturais.

