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presidente do Líbano
Reprodução Wikimedia
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Mundo – O presidente do Líbano, Joseph Aoun, elevou o tom contra o Irã ao acusar o país de interferir nos assuntos internos libaneses e usar o território como instrumento de negociação em disputas regionais. Em entrevista publicada nesta sexta-feira (5), o líder afirmou que os libaneses estão cansados dos impactos provocados pelo conflito entre Israel e Hezbollah.

As declarações acontecem em meio a um cenário de cessar-fogo instável no sul do país e refletem a pressão interna por maior autonomia política diante da influência de atores regionais.

Joseph Aoun acusa Irã de usar o Líbano em disputas regionais

Durante a entrevista, Joseph Aoun criticou diretamente a atuação iraniana e afirmou que os interesses de Teerã não correspondem às necessidades da população libanesa.

“Vocês não estão tentando nos ajudar… o povo do Líbano está pagando o preço… em nome de seus próprios interesses”, afirmou o presidente.

A fala foi direcionada especialmente à atuação do Irã no contexto das tensões envolvendo Israel, Hezbollah e negociações internacionais conduzidas pelos Estados Unidos.

Segundo Aoun, o país estaria sendo usado como ferramenta estratégica em disputas externas.

Críticas também atingem Guarda Revolucionária iraniana

O presidente libanês reagiu a uma declaração recente da Guarda Revolucionária Islâmica, força militar de elite iraniana, que havia exigido a retirada israelense do território libanês dentro das negociações regionais.

“Este não é o seu país, é o nosso país”, declarou Aoun.

Na avaliação do presidente, declarações desse tipo representam interferência direta na soberania nacional.

“Eles estão usando o Líbano como moeda de troca em suas negociações com os EUA. Isso é inaceitável”, acrescentou.

Cessar-fogo entre Israel e Hezbollah segue sob incerteza

As declarações foram dadas em meio a um contexto delicado no sul do Líbano, onde permanece frágil o acordo de cessar-fogo firmado recentemente.

Segundo Aoun, as negociações foram complexas, mas podem abrir caminho para estabilidade.

“Foi uma negociação difícil; até que conseguimos um grande avanço”, afirmou.

O entendimento prevê o fim das hostilidades e a retirada completa dos combatentes do Hezbollah do sul do território libanês.

No entanto, o grupo rejeitou partes do acordo, argumentando que o texto não garante a retirada total das forças israelenses da região.

População libanesa demonstra desgaste após anos de conflito

Ao longo da entrevista, Joseph Aoun reforçou que parte da sociedade libanesa demonstra cansaço diante da continuidade das tensões militares.

A posição reflete um momento de forte pressão econômica, política e social enfrentado pelo país, que convive há anos com crises internas, instabilidade institucional e impactos causados por conflitos regionais.

As declarações do presidente indicam um movimento de maior distanciamento político de influências externas em um dos momentos mais delicados para a estabilidade do Líbano.

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