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O avanço de eventos climáticos extremos e a possibilidade de um novo ciclo severo do El Niño, nos próximos meses, dominaram, nesta quinta-feira (21), o encerramento do XXV Seminário Internacional do Café, realizado no Santos Convention Center, em Santos. O debate, que reuniu alguns dos principais traders globais do setor, apontou preocupação imediata sobre a produção do tipo arábica e, principalmente, de robusta. Paralelamente, os especialistas traçaram perspectivas para os próximos cinco anos, projetando um mercado mais volátil, pressionado por desafios estruturais ligados à sucessão familiar, adaptação tecnológica e oscilações globais.
O painel “Traders” foi mediado pelo head de café no Brasil da COFCO International, Octávio Pires. A atividade contou com a participação do diretor-regional da ECOM Agroindustrial, Alejandro Flórez; do head de café na Europa da Comexim Group, Alex Park; e do CEO da Volcafé Brasil, Danilo Pucci.
Ao analisar o cenário climático de curto prazo, os painelistas afirmaram que o possível retorno do El Niño, ainda este ano, preocupa especialmente pelos efeitos sobre a produção de robusta no Brasil e no Sudeste Asiático. Neste sentido, Pucci destacou que um evento severo pode provocar impactos relevantes já nas próximas safras.
“As previsões já indicam possibilidade de um El Niño moderado ou severo nos próximos meses. Em um cenário mais forte, o impacto sobre o robusta pode ser significativamente maior”, afirmou. Segundo ele, o Espírito Santo, a Bahia e países produtores da Ásia, como a Indonésia, podem sofrer perdas importantes caso os efeitos climáticos se intensifiquem.
Por sua vez, Alex Park reforçou que os eventos meteorológicos extremos passaram a fazer parte permanente do ambiente global do café. “Esses ciclos serão mais predominantes e mais severos. O clima continua sendo a principal preocupação (para o futuro)”, disse.
Além da preocupação imediata com o clima, os traders discutiram as transformações estruturais esperadas para os próximos cinco anos. Entre os principais desafios citados, estão a necessidade de renovação tecnológica das lavouras e a expansão das áreas plantadas.
Outro ponto que acende o sinal de alerta é a sucessão familiar nas propriedades produtoras. Para Alejandro Flórez, muitos países já enfrentam dificuldades para atrair novas gerações ao campo. Segundo ele, a situação tende a se tornar um dos fatores mais críticos para o equilíbrio da oferta global no médio prazo.
Durante o painel, os painelistas também avaliaram que o mercado deverá seguir marcado por forte volatilidade, influenciada não apenas pelo clima, mas também por fatores geopolíticos, oscilações cambiais, juros globais e gargalos logísticos. Apesar disso, houve consenso de que a demanda mundial por café permanece resiliente.
Estoques
A questão dos estoques mundiais também ganhou destaque nos debates do evento, tanto no painel “Traders” quanto no painel “Supply & Demand”, mediado pelo diretor-comercial da EISA – Interagricola S/A e vice-presidente da Associação Comercial de Santos, Carlos Santana.
Ao longo da discussão, o presidente de divisão Financeira e da América Latina da StoneX, Oscar Schaps, asseverou que o mundo atravessa um período de reservas reduzidas. “O café é uma das commodities mais voláteis do mundo. Tivemos redução dos estoques globais, além de problemas climáticos, guerra impactando fretes e um ambiente extremamente sensível”.
Já o analista de pesquisa no mercado de café do Rabobank Brasil, Cláudio Delposte, declarou que o setor ainda depende de grandes safras para recompor suas reservas e devolver estabilidade ao mercado. “Vamos precisar de outra safra volumosa para dar fôlego ao mercado”.
Conforme Delposte, o comportamento climático durante a próxima florada brasileira será determinante para o rumo dos preços e para o equilíbrio global entre oferta e demanda.
O seminário
A 25ª edição do fórum começou na última terça-feira (19), com a abertura oficial e também uma visita externa ao canal do Porto de Santos, atividade que foi realizada em parceria com a Autoridade Portuária de Santos (APS). Em três dias, o fórum recebeu cerca de mil pessoas e representantes de 28 países. No total, foram realizadas 12 atividades, entre painéis e palestras. O encerramento oficial ocorre em uma festa realizada no Mercado Municipal de Santos. O evento foi organizado pela Associação Comercial de Santos (ACS).
O XXV Seminário Internacional do Café Santos tem patrocínio de Apex Brasil, Brasil Terminal Portuário, MSC, StoneX, Autoridade Portuária de Santos, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Governo Federal, Contegran, Nucoffee, LDC, Ofi e Sucafina. Cafeteria oficial: Cooxupé, SMC e Prima Qualità.

