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Brasil – A dificuldade crescente para contratar funcionários no setor de alimentação tem levado empresas a acelerar investimentos em automação no Brasil. A avaliação é de Daniel Mendez, fundador e presidente da Sapore, multinacional brasileira especializada em refeições coletivas e catering corporativo.
Segundo o empresário, a tendência deve se intensificar com as discussões sobre o possível fim da escala 6×1 e as mudanças no perfil profissional das novas gerações.
Empresa busca robôs para substituir tarefas repetitivas
Com atuação em cerca de 1.400 restaurantes e mais de 23 mil funcionários, a Sapore estuda o uso de robôs humanoides e sistemas automatizados para substituir atividades operacionais consideradas repetitivas.
Entre as prioridades da companhia está a automatização da coleta de bandejas em restaurantes corporativos.
“Ninguém quer mais fazer tarefas repetitivas”, afirmou Daniel Mendez em entrevista à Folha de S.Paulo. Segundo ele, jovens profissionais já não aceitam esperar anos para crescer dentro da hierarquia tradicional da cozinha profissional.
O executivo viajará para China e Japão em busca de novas tecnologias voltadas ao setor de alimentação e automação industrial.
Escassez de trabalhadores preocupa setor de restaurantes
O setor de bares e restaurantes enfrenta uma das maiores taxas de rotatividade do país. Segundo dados citados pela reportagem, o índice chegou a 79% em 2025, acima da média nacional de 56%.
Para Mendez, o problema tende a se agravar independentemente da discussão sobre o fim da escala 6×1.
A empresa também vem testando novos formatos de jornada, como:
- escala 5×2;
- modelo 2×2;
- jornada 12×36.
Atualmente, cerca de 30% dos funcionários da Sapore ainda trabalham no sistema 6×1.
Automação cresce também entre clientes da empresa
A companhia vive um cenário considerado paradoxal: ao mesmo tempo em que automatiza suas operações, também atende empresas cada vez mais robotizadas.
Segundo o empresário, algumas clientes já substituíram centenas de trabalhadores por máquinas industriais.
“Robôs não comem”, afirmou Mendez ao comentar o impacto da automação sobre a demanda por refeições corporativas.
Apesar disso, a empresa aposta na sofisticação dos serviços para compensar possíveis perdas, com cardápios mais personalizados para públicos veganos, intolerantes à lactose e ao glúten, por exemplo.
Inteligência artificial ajuda a reduzir desperdícios
Além dos robôs, a Sapore também investe em tecnologia para gestão operacional.
A empresa anunciou investimento de R$ 50 milhões em um sistema SAP integrado para monitorar demanda, adaptar cardápios e reduzir desperdício de alimentos.
Segundo a companhia, restaurantes que já utilizam o novo sistema reduziram perdas mensais de 10 toneladas para cerca de 240 quilos.
A empresa também utiliza fornos equipados com inteligência artificial capazes de otimizar o preparo de alimentos sem necessidade constante de supervisão humana.
Debate sobre trabalho e tecnologia ganha força
O avanço da automação no setor de serviços reacende discussões sobre o futuro do mercado de trabalho no Brasil.
Especialistas apontam que atividades repetitivas tendem a ser substituídas por tecnologia nos próximos anos, enquanto funções ligadas à criatividade, atendimento personalizado e gestão devem ganhar mais importância.
Ao mesmo tempo, empresas buscam adaptar jornadas de trabalho diante das discussões sobre saúde mental, produtividade e qualidade de vida no ambiente corporativo.
A atualização da NR-1, norma relacionada à segurança e saúde no trabalho, também pressiona empresas a revisarem modelos tradicionais de escala e organização profissional.

