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excesso de telas
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Educação – O uso excessivo de celulares, tablets e vídeos curtos tem impactado diretamente a aprendizagem de crianças e adolescentes brasileiros, segundo especialistas em educação. O fenômeno, impulsionado pela hiperconexão digital, preocupa escolas e pesquisadores por afetar habilidades como concentração, interpretação de texto, escrita e raciocínio lógico.

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico mostram que 53% das famílias brasileiras raramente leem para os filhos, cenário que amplia o debate sobre o papel das escolas diante do avanço das telas.

Conteúdos rápidos reduzem capacidade de concentração

Especialistas alertam que o consumo constante de vídeos curtos e conteúdos altamente estimulantes modifica a forma como jovens processam informações.

Segundo Leonardo Monteiro, o excesso de estímulos digitais dificulta a sustentação da atenção e o aprofundamento da leitura.

“O consumo constante de conteúdos curtos, rápidos e altamente estimulantes reduz, muitas vezes, a capacidade de concentração”, afirmou o especialista.

Na prática, isso aparece em dificuldades para:

  • interpretar textos longos;
  • organizar ideias com clareza;
  • ampliar o vocabulário;
  • produzir textos mais elaborados.

Escolas restringem telas para estimular desenvolvimento

Como resposta ao problema, a Fundação Bradesco adotou medidas de restrição ao uso de dispositivos em etapas iniciais da educação.

Segundo a superintendente de ensino Mara Pane, telas foram totalmente retiradas da Educação Infantil e do 1º ano do ensino fundamental.

A estratégia prioriza:

  • experiências concretas;
  • interação social;
  • oralidade;
  • exploração do ambiente físico;
  • desenvolvimento cognitivo e emocional.

Especialistas defendem que, nessa fase, o aprendizado precisa acontecer principalmente por meio de vivências reais e não mediadas por dispositivos eletrônicos.

Leitura e escrita são vistas como ferramentas de inclusão

O debate também envolve o domínio da língua portuguesa formal.

Embora o chamado “português das redes sociais” tenha ampliado a participação de grupos historicamente marginalizados no debate público, educadores alertam que dificuldades na escrita formal ainda funcionam como barreira social e profissional.

Segundo especialistas, ensinar:

  • grafia correta;
  • argumentação;
  • paragrafação;
  • interpretação textual;

continua sendo essencial para garantir inclusão e participação em diferentes espaços da sociedade.

A avaliação é que o domínio da norma culta não precisa apagar identidades regionais ou formas populares de expressão, mas ampliar as possibilidades de comunicação e acesso.

Incentivo à leitura busca desacelerar jovens

Para enfrentar os impactos da hiperconexão, a Fundação Bradesco mantém um programa de incentivo à leitura que atende mais de 42 mil estudantes.

O projeto distribui quatro livros por ano para cada aluno e reúne obras contemporâneas e clássicos da literatura, incluindo:

  • Harry Potter;
  • Capitães da Areia.

Segundo Leonardo Monteiro, estimular jovens a desacelerar e refletir profundamente pode ser uma das ações mais inovadoras da educação atual.

Debate sobre telas cresce no Brasil

O impacto do uso excessivo de dispositivos eletrônicos entre crianças e adolescentes vem ganhando espaço em discussões educacionais e familiares no Brasil e no exterior.

Especialistas defendem equilíbrio entre tecnologia e desenvolvimento cognitivo, destacando que ferramentas digitais podem contribuir para o aprendizado quando utilizadas de forma consciente e supervisionada.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação com os efeitos da hiperestimulação sobre a atenção, a saúde mental e a formação educacional das novas gerações.

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